terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sweet sixteen


Hoje faz anos que nasceu a minha princesa. Faz anos que conheci o rosto de alguém por quem já sentia o maior amor incondicional.
O caminho do seu crescimento não foi fácil. Eu estive quase toda a vida da minha filha doente e sem o tratamento adequado mas sei que fiz tudo o que podia em tais circunstâncias. Mesmo assim ficaram abertas feridas. No entanto, sei que agora, desde que estou a ser corretamente medicada, tenho a oportunidade de recuperar tudo aquilo que me foi roubado. Há um tempo para tudo e este é o tempo para eu disfrutar do meu "caramelinho".
Por outro lado estou ciente que o meu “caramelinho” nasceu através de mim para a vida. Ela vive comigo mas não me pertence. Posso dar-lhe todo o meu amor mas não obrigá-la aos meus desejos pois ela tem os seus próprios pensamentos e a sua alma vai ainda viver num futuro mais distante que o meu.A minha menina cresceu, está maior do que eu. É uma pessoa bem estruturada e os desejos que eu tinha  para ela foram substituídos pelos seus próprios sonhos. E estes sonhos e a sua força de vontade vão levá-la longe, eu sei. E hoje é o dia em que se abrem para ela as portas do Mundo.


domingo, 28 de outubro de 2012

Terapia da arrumação precisa-se

Há locais da minha vida que tardo em mexer.
Locais onde se acumulam papéis que não servem para nada misturados com coisas importantes.
Sítios onde o tempo parou e aos quais não quero recuar.
Cantos nos quais o cérebro cria entropia quando se aproxima.
Recantos que são feridas com crosta recente.
A terapia da arrumação precisa-se mas ainda não chegou o momento.
Primeiro é preciso manter a terapêutica prescrita pela minha médica.
Só depois quando a medicação ficar mais leve é que vou voltar à fada do lar que era antes. 
Tenho a certeza.
Até lá tenho que ir forçando um pouco a minha diminuta falta de vontade.

sábado, 27 de outubro de 2012

Ler doce ler


"Ler Doce Ler" é uma ode à leitura e ao amor pelos livros. É um livro da autoria de José Jorge Letria (texto) e de Rui Castro (ilustração). E é o livro que o meu filhote acabou de ler. É um excelente livro para as primeiras leituras pois é rico em vocubulário e em poesia. Adorámos a magia deste livro.

“Os livros são casas
Com meninos dentro
E gostam de os ouvir rir,
De os ver sonhar
E de abrir de para em par
As paisagens e as imagens,
Para eles, lendo, poderem sonhar.
Os livros gostam de se deitar            
Nas almofadas dos meninos                    
Partilhando o seu sono                                               
Quando eles são pequeninos            
E de ir com eles para a escola    
Misturados com os cadernos       
E com os beijos dos pais,            
Sempre quentes, sempre ternos.
Os livros têm perfume   
Que não é de homem ou de mulher
E nem sequer é parecido
Com outro perfume qualquer; 
É um perfume sem nome,
Não é de flor ou maresia,
Mas tem o aroma secreto
Que existe na Poesia.”

Preocupações de uma criança

Aqui há dias, estando eu e o meu pequeno na garagem cruzamo-nos com a minha vizinha de baixo que vinha carregada com imensas compras de supermercado. Esta minha vizinha já está naquela fase da vida em temos imensa sabedoria mas o corpo já não ajuda. Assim que viu a minha vizinha o meu filhote abriu logo a porta da garagem para o prédio e ajudou-a naquilo que pode. Depois de ela ter as compras no elevador fomos para o carro. Aí ele comenta comigo:
- Mãe as pessoas velhotas preocupam-me.
- Ai é filho, então porquê?
- Porque eles andam por aí sozinhos a fazer coisas que já não podem.
Fiquei sensibilizada, derretida e simultâneamente orgulhosa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Musiquinha boa

Mesa - Cedo o meu lugar

Ontem e hoje foram dias de neura e não foi por causa da chuva. Para cortar com essa energia negativa aqui fica um bom som.

Leituras cruzadas

Uma das leituras recentes do meu pequeno foi as  "Lendas do Mar" de José Jorge Letria e André Letria. Foi muito bom, ele melhorou mais um pouco na leitura e tivemos bons momentos de comunhão mãe e filho. As lendas são muito bonitas e as ilustrações fazem-nos sonhar. Com a leitura deste livro o meu filho apercebeu-se da diferença entre o que é uma lenda sobre um assunto.e da explicação científica sobre o mesmo assunto. Assim, além da leitura houve direito a explicação científica para as marés, para as ondas, para os tsunamis, para a formação das ilhas, etc.



Dias depois, já estando ele a ler outro livro, ele comenta e reflecte sobre a capa do livro que eu ando a ler:
- Oh mãe isso é sobre o terramoto de Lisboa não é. Pois, esse tsunami foi muito forte chegou até ao Sul de Espanha. E houve um grande incêndio como está no desenho. E  a cidade foi toda reconstruída como nós vimos naquelas ruínas que estão por baixo dos prédios da Baixa.
Pronto, e foi assim de um momento para outro o meu pequeno debitou todo o seu conhecimento sobre tsunamis e terramotos adquirido na leitura de um livro que não tinha nada à partida com essas ondas gigantes.
Já agora o livro que estou a ler é o "Quando Lisboa Tremeu" e estou tão no início que não tenho ainda opinião formada.




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Estou de regresso a "casa"

 

Em 2010 tive a minha última crise grave. Fazia nessa altura catorze anos que estava a fazer tratamento contra a depressão sempre acompanhada pela mesma médica que era super credenciada. Acontece que mesmo seguindo a terapêutica prescrita pela minha médica eu andava cada vez pior.
Até que por uma série de situações e estando eu nas últimas acabei por encontrar  a que é hoje minha Médica. A minha Médica diagnosticou-me prontamente o meu problema de saúde, eu não era depressiva antes pelo contrário, era maníaca. Era bipolar tipo I e na altura apresentava uma crise muito severa. Tratei-me, custou muito, mas recuperei.
E aí recuperei coisas fantásticas e encontrei coisas que nunca tinha sentido na vida. A sensação que tenho é que encontrei a minha vida pois antes não era viver, era apenas uma passagem com muita dor e muito sofrimento.
Uma das coisas que encontrei foi o dormir. Desde muito pequena me lembro que não conseguia dormir e o que aquilo que dormia não era suficiente. Agora durmo sonos tranquilos e reparadores.
Outras das coisas que encontrei foi o degustar. Antes só comia porque tinha que ser e mesmo assim com algum esforço pois o meu estômago andava sempre doente. Agora adoro comer de tudo e mais alguma coisa. Se é certo que estou mais gordinha por causa da medicação também é certo que se deve também à minha gula.
Também reencontrei o afecto do meu marido e dos que me são queridos. O afecto da minha filha está sendo mais difícil de recuperar. Eu adoecia com gravidade precisamente na altura do seu nascimento. Ela sempre me conheceu alterada e não como eu sou de verdade. Ela não consegue interiorizar que eu tive e tenho uma série de limitações. E ela está na adolescência...
Depois reencontrei o prazer de uma série de coisas: da amizade, da leitura, da música, dos lavores, de n coisas.
Só ainda não voltei a reencontrar o prazer das arrumações e das limpezas. Eu antes era super desinfectada e agora ando menos minhoquinhas com esse tipo de coisinhas. Não sei se esta minha atitude tem a ver com a medicação.
Basicamente é esta a minha história. O que eu sei e sinto é que sou bipolar desde que nasci e que fui sugada da minha concha, da minha casa, da minha home ainda bem pequenina. Durante quatro décadas estive perdida e fraca mas estou a regressar a casa. 
A minha alma amargurava e agora sorri.
Caminho devagar, eu sei, mas caminho e sei que vou regressar pois acredito em mim e nas minhas capacidades.
Olho para trás e vejo que já fiz um longo percurso.
Vou caminhando, caminhando sem sair do trilho pois para se tratar a doença bipolar não basta só a medicação é preciso ter regras no dormir, na alimentação e até no vestir.
Não consigo abraçar tudo neste momento mas sei que um dia o vou conseguir. 
Estou de regresso a "casa". Estou no caminho certo. Eu sei!

Titanium out, inside weak



Quando este vídeo surgiu senti-me imediatamente retratada por ele.
Uma crise maníaca é mesmo isto.
É esta música, este som, esta vibração.
É num momento tudo acontecer rapidamente e logo a seguir tudo se encontrar super sereno.
É esta velocidade, esta rapidez.
É cortar a noite sem temor. 
É uma sensação perigosamente boa...
É poder viver tão rapidamente que a vida fora de nós como que flutua.
É ter fraca figura e mudar um apartamento inteiro.
É ser azul, amarelo, violeta e todo o arco íris.
É sentir, cheirar e ouvir tudo a muita distância.
É caminhar, correr, voar e nunca mais chegar...
É sentir o poder da imortalidade.
 É ser uma energia de tal modo possante que ilumina como o Sol e pulveriza tudo o que nos rodeia.
É ser sentir-se  Deus e ser Deus.
É sentir uma liberdade infinita e continuar com a alma aprisionada.
É ter demasiada energia mesmo estando débil.
É sentir-se forte por fora e fraca por dentro.
É tudo isto e muito mais que isto!
Eu já fui isto…

domingo, 21 de outubro de 2012

Feng Shui de bairro

Havia, cá em casa, uns bancos que precisavam de ser substituídos. Havia também uns alguidares e um cesto das molas que estavam partidos. Ora acontecia que nos Continentes e nos Pingos Doces da minha vida não encontrava nada para os trocar. E nem a drogaria cá do bairro me podia valer pois tinha fechado há meses.
Estava eu neste ponto de situação quando abre aqui na minha rua, uma portas acima da minha casa, uma loja chinesa.
Logo no primeiro dia fui lá espreitar pois precisava de um saco para natação do meu filho e não queria gastar muito dinheiro. Assim que entrei fiquei logo bem impressionada, a loja não tinha aquele cheiro característicos das lojas chinesas, era ampla e tudo estava muito arrumadinho. Andei por lá a explorar e encontrei tudo aquilo que precisava. Assim, num par dias fomos lá e trouxemos material suficiente para renovar a minha cozinha. O meu filho ficou tão satisfeito com a mudança que resolveu que era hora de tirar as suas aguarelas de bebé que decoravam a nossa cozinha. No fim de toda a renovação o meu filhote só dizia repetidamente:
- Oh Mãe! Eu sinto que a nossa vida vai mudar!

De facto mudámos pouca coisa. Mas o que mudamos foram aquelas pequenas coisas com as quais esbarravamos todos os dias e que criam entropia. Também eu sinto que foi um bom princípio para todas as arrumações que tenho pela frente. Com efeito, e depois de várias crises sucessivas distribuídas por demasiados anos, a minha casa bem precisa de uma enorme volta. Já comecei. Agora é só continuar porque eu também sinto que a minha vida vai mudar.

Lithium Flows in Me

Estava uma tarde calma e amena. Os passarinhos regressavam para os seus ninhos na copa das árvores. Aguardávamos pelo início da aula de piano do meu filho. O meu filhote explorava o "jardim" da associação e eu estava sentada sob o telheiro. Nisto oiço esta música interpretada por uma colega  do meu filho.

 
River Flows in Me - Yiruma

Imediatamente fico apaixonada por esta peça. Senti-me retratada.
Durante anos fiquei como que presa a uma pedra de um rio. Fiquei presa no lado da pedra onde crescem os limos do rio. Fiquei presa a noites passadas em claro. Presa ao frio da madrugada. Presa a cafés para me manter acordada. Presa à angustia e ao desespero de querer viver e não poder.
Depois, há dois anos e meio a trás, quando finalmente me diagnosticaram correctamente a minha doença, recebi a minha vida de volta. Ela voltou de um tempo tão lá atrás que não me consigo lembrar. E a minha vida começou a fluir como um rio. Sou capaz de acompanhar, com maior qualidade, os meus filhos. Tenho um maior coração para amar os meus filhos, o meu marido e os que me são próximos. Descobri o prazer de comer. Durmo bem e sempre com sonos reparadores. Consigo ler livros de enfiada. Dou uns toques na cozinha. Aprecio os passeios pela praia, pelo bosque e pelas montanhas. Enfim, gozo a vida. E tudo isto porque o lítio, o ácido valpróico e a olanzapina correm também em mim.

sábado, 20 de outubro de 2012

Cenas que só acontecem cá em casa #5

Os meus pais vivem a 300 km de distância, mas hoje contamos com a visita da minha mãe.
Ela está ali, na cozinha, a fazer o almoço. O meu pequeno foi lá espreitar. Daqui oiço ele a dizer para a avó:
- Avó! A vida contigo é mais fixe!
Fiquei derretida.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

E eu também vou!


Mundo, estou hipercontente. Vou ver esta peça no fim de semana. Já tenho os bilhetes!
Nada de TPC, de ballets, de pianos, de jantares, de banhos e birras. Vou sair! Vou sair com o meu homem!
Dizem que a peça é superdivertida e tenho cá a impressão que vou vir de lá energizada e bem disposta.

Cenas que só acontecem cá em casa #4

No ano em que tive a minha maior crise bipolar, aquela onde finalmente me foi diagnosticada a doença, o meu filhote mais pequeno entrou para a primária. 

A vida é assim, continua e eu não podia agarrar-me ao meu estado clínico. Comecei a acompanhar o meu filho o melhor que pude nos TPC mas, algo não batia certo. A minha criança tinha dificuldade na aquisição de conhecimentos. Então, levámo-lo ao pediatra de desenvolvimento que lhe diagnosticou deficit de atenção. Esta situação já não era nova para nós pois a nossa filha mais velha também teve o mesmo problema. Assim, enfrentamos a questão. O pequeno passou a fazer apoio psicopedagógico três por semana, a frequentar aulas de piano (melhoram a concentração), a tomar Rubifene e a ler uma história todas as noites. Tudo este programa tem sido feito com algum esforço. O pai tem estado a estudar à noite pelo que tem sido esta mãe que tem estado na berlinda. Esta mãe que devido à doença precisa de fazer as coisas com mais calma.

E é assim, todas as noites o pequeno lê uma história ou uma parte de um livro. A sua leitura tem melhorado imenso e o seu gosto pelos livros também. Aqui há dias, quando falávamos sobre os livros que havia cá em casa e como era bom ler, o meu pequeno tem esta saída:
- Mãe, eu preciso de ler mais livros e jornais. É que sabes, mãe, o poder da leitura está a entrar dentro de mim.

Soube tão bem. Sinto o meu empenho recompensado e fiquei uma mãe super babosa.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ler, em português, é um vício caro


Hoje é  recordado com um doodle da google, Herman Melville, escritor e ensaísta norte-americano. E a efeméride em causa é o 161.º aniversário do romance ‘Moby Dick’, que se assinala neste dia 18 de Outubro.

Curiosamente, e a propósito da lista dos 50 livros que toda a gente deve ler, verifiquei o seguinte nos livros que se encontram à venda na wook:

O livro Moby Dick, em versão portuguesa, custa:

35,93 €

E na versão inglesa, custa:
Moby Dick

2,63 €

Alguém me pode explicar porque razão temos os livros quase 14 vezes mais caros que os ingleses?
É porque lá o ordenado mínimo é o dobro do nosso? Pois, deve ser.

Sonhos por concretizar

A propósito deste post da Sónia Morais Santos no seu blog Cocó na fralda deixei o seguinte comentário:

No outro dia estava ao almoçar com a minha colega T.. Ela comentava que apesar de entre ela e o marido terem 3 crianças gostavam de ter mais uma quarta, a primeira em comum. Acontece que para a T. esse era um sonho impossível de concretizar, o marido tem cada vez menos clientes e a cada mês que passa entra menos dinheiro em casa.
Eu por outro lado tenho duas crianças mas gostava de ir a uma terceira. Porém o meu marido está desempregado e a única solução que vemos para este problema é ele emigrar. Como não temos família de apoio, pois vivem longe, e eu sofro de uma doença crónica a tarefa de criar três filhos sozinha é manifestamente impossível.
Eu e a T. temos pouco mais de 40 anos e esta era a hora certa de concretizar estes sonhos.
Assim, nesta mesa de almoço ficaram por nascer duas crianças, dois contribuintes que no futuro iriam suportar o estado, as nossas reformas e o SNS.

Viva Portugal!
Viva o nosso governo e a sua visão futurista!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Quarta-feira | dia de correria


7:15  
Toca o despertador.
Tomar o pequeno almoço e dar uma taça de cereais ao mais pequeno.
Preparar os sacos do almoço e o do lanche da criança.
Acabar de arranjar a mochila da ginástica da mesma criança.
Verificar se ele já está vestido.
Sai a criança para a escola. O pai vai levá-lo.
Vou me arranjar toda linda e cheirosa. O tempo está cinzento mas as cores da minha roupa vão assustar e impressionar as nuvens.
Sair de casa a correr, apanhar congestionamento no nó da autoestrada, começar a trabalhar.
Almoço a correr em meia hora. 
Sair do trabalho. Ir a correr ao shopping comprar comida para o jantar.
Ir buscar a criança. Deixá-la no apoio.
Ir a casa deixar a tralha da criança, deixar as compras, lanchar. Ir à livraria encomendar um livro para a criança
Ir buscar a criança ao apoio.
Ir pôr a criança no piano. Ficar tentada em ter aulas de piano.
Ir para casa para a criança fazer os TPC.
Ir pôr a adolescente no ballet.
Ir para casa pôr a criança a tomar banho. Preparar a roupa para o dia seguinte. Pôr uma máquina de roupa a lavar.
Ir buscar a mais velha ao ballet. Dar dois dedos de conversa com a professora de ballet. Afinal ela é professora de ballet da minha filha há 13 anos e anda com o moral em baixo. Merece.
Ir para casa.
Fazer o jantar. Preparar a mochila da natação da criança mais pequena bem como o saco do almoço e a lancheira.
Jantar.
Pôr a loiça na máquina.
Telefonar aos pais que vivem a 300 km de distância.
Preparar o pessoal para ir para a cama. 
22:45
Ouvir uma história lida pelo mais pequeno. Cair para o lado e adormecer.

O pai chega a casa vindo da sua aula de mestrado. O pessoal dorme, a cozinha está meio desarrumada, mas a missão foi mais uma vez cumprida. Como qualquer mãe consigo chegar a quase tudo. Como qualquer bipolar deito-me cedo, pois é preciso descansar. No fim do dia, o balanço é positivo.
Amanhã é outro dia. Ligeiramente diferente deste mas basicamente é a mesma correria. 
O segredo é fazer tudo com prazer.

    

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cenas que só acontecem cá em casa #3

O meu filho estava a fazer um trabalho de Estudo do Meio sobre datas importantes da nossa família. Tinha de começar pela data de nascimento dos avós e a lista era extensa. Às tantas fez o seguinte comentário:
- Quando eu for grande não quero ser pai. Assim, os meus filhos não vão ter de fazer estes trabalhos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um desfile em forma de protesto


final do desfile de Nuno Gama na Moda Lisboa

Say my name!



Durante anos, muitos anos, mais anos do que aqueles que vou ainda viver estive gelada, comprimida e atrofiada.
Vagueava pela noite e dormitava de dia.
Não comia e o meu corpo rejeitava a comida.
Movia-me a café e à energia negativa que o meu corpo produzia.
Trabalhava, mexia-me, remexia-me e nada acontecia.
Tomava antidepressivos que pouco faziam.
Aos poucos a minha vida foi ficando um caos e eu nem me apercebia.
Por fim cai redonda de exaustão.
Fui recolhida e iniciei o tratamento correto.
Reergui-me e juntei as minhas armas, os meus truques, as minhas cenas positivas e estou a vencer. Por isso aqui estou, para transmitir que é possível ter uma excelente vida sendo bipolar. Que é possível ser mãe, uma educadora dedicada, uma profissional eficiente, uma pessoa interessante (acho eu) e acima de tudo feliz.

Say my name
As every colour illuminates
We are shining
And we will never be afraid again
Say my name
We are shining
Say my name
Say my name
And we will never be afraid again

domingo, 14 de outubro de 2012

Diácono Remédios do FMI

Ao lanche:
- Mãe, porquê que estás a beber desse café (solúvel) com o leite e não daquele da máquina do café?
- Porque gosto mais.
- Pois, ainda à bocado foste beber café lá abaixo quando podias ter bebido café aqui na máquina.
- Mas eu gosto de ir lá abaixo, dou dois dedos de conversa com o Sr. Z. e apanho ar na esplanada.
- Mas, oh mãe fica mais caro e nós estamos em CRISE.

Como é que se explica a uma criança que apesar da crise e de termos que cortar em tanta coisa há pequenos hábitos que são importantes para o nosso bem estar emocional.

Que linda mamã


"A cantora colombiana encerrou a competição mundial de futebol feminino, em Baku, no Azerbaijão, e nem a barriguinha de seis meses a travou na dança de êxitos como Waka Waka ou Loca.
Mas antes de subir ao palco, Shakira deixou uma mensagem aos fãs, na rede social Twitter. "Dentro de poucos minutos será primeira vez do nosso bebé em palco e precisamente num evento de futebol. Mágico"." 
in Jornal de Notícias

Cenas que só acontecem cá em casa #2

Fui agora ao meu quarto e encontrei o meu marido super estafado. Estava a fazer exercícios físicos a mando de um programa de personal trainer do seu android.
Só visto! Homens depois dos quarenta é um prato. Adoro!

Literatura antipsicotica

Nos dias em que andei psicótica tive imensa dificuldade em dormir não só pelos pensamentos que me assaltavam a mente, como pelos monstrinhos azuis fluorecentes que via no escuro.
Como era fim de semana, e só tinha consulta na terça-feira, tive de arranjar alguns truques.
Um deles foi ler para o meu filho, antes de adormecer, este livro:

 O Poeta e o Burro

O livro é sobre um poeta andaluz, o seu burro Platero e as suas aventuras pela Andaluzia de outra era. Para mim ler este livro ao meu pequeno é como viajar no tempo e no espaço. É como voltar a Sevilha, a Córdoba, a Granada e cruzar os campos de Lepe. E como o Algarve tinha o seu quê de Andaluz é também como voltar às tradições e hábitos da minha infância.
A história ficou a meio nessa noite. No entanto, adormeci serena e num sono reparador. 
Na manhã seguinte fui ao médico. Entre as minhas queixas, contei-lhe este truque ao qual a minha médica incentivou-me a fazer um post sobre ele.
Por isso aqui está  ele... Espero que ajude.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Olanzapine report

Três noites após ter começado a tomar o dobro da dose habitual de olanzanpina confesso que estou brutalmente melhor. Deixei de andar psicótica, durmo bem, levanto-me com mais energia e tenho trabalhado com mais afinco. É mesmo milagroso.
Por outro lado, e analisando o sintomas mais a fundo, verifico que há indícios de uma crise muito mais cedo do que eu pensava. Estes sintomas são os seguintes:
- receio de conduzir no centro da cidade;
- dificuldade em concretizar tarefas e dispersar-me por diversos assuntos (costumo ser muito focada);
- andar rondando muito a livraria cá da zona (sou viciada em livros);
- maior dificuldade em organizar as coisas cá em casa;
- dar menor atenção aos TPC dos miúdos;
- etc.
À medida que o tempo passa vou estando mais atenta aos pequenos sinais e a evitá-los da melhor maneira.
Desta vez evitou-se algo que poderia ter terminado mal.
Para a próxima, a crise será identificada mais cedo e as coisas vão correr ainda melhor.
KEEP CALM, THINK POSITIVE


quarta-feira, 10 de outubro de 2012


Atenção que esta mensagem é apenas para a dona deste blog

Do outro lado do espelho

A doença bipolar é como caminhar num corredor cujas as paredes são espelhos.
Do lado esquerdo temos um espelho que nos faz mergulhar num estado de imensa tristeza chamado depressão. Do outro lado temos o espelho chamado mania que nos eleva o humor e nos aumenta a euforia.
Por estes dias penetrei levemente no espelho lado direito.
E aqui estou eu, do outro lado espelho, mesmo que seja só presa à superfície.
Tenho os meus truques para voltar a sair mas o principal é ir ao médico assim que detecto os primeiros sintomas.
Ontem lá fui e a dose da olanzapina  foi acertada. A seguir fui trabalhar e depois fui arranjar o cabelo.
Hoje levantei-me bonita, melhor e com um pé fora de espelho.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia Mundial de Arquitetura

Pavilhão Barcelona - Mies van der Rohe

Ontem foi também dia Mundial da Arquitetura.
A arquitetura é, para mim, o local onde o rio da ciência se encontra com o rio da arte formando notas harmoniozas de luz e espaço.
Aqui fica uma das obras do meu arquiteto preferido e uma imagem do local que, com muita pena minha, ficou por visitar aquando das nossas férias em Barcelona (Gaudi, Picasso e Van Gogh chamaram mais alto).

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Dia Mundial da Música


Gershwin - Rhapsody in Blue por Jack Gibbons 

Há um local na minha vida onde amiúde, na companhia do meu marido, ouvimos jazz. Esse local é uma das bolhinhas de oxigénio que tenho. Bom dia, boa música e boas bolhinhas de oxigénio.