segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pedido de ajuda

Fica aqui o pedido de ajuda da minha amiga Inês. A mãe dela desapareceu e ela está desesperada.. Partilhem por favor. Obrigada.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sexo e os subúrbios

Era uma da tarde. O Sol de Outono iluminava o espaço trazendo energia positiva àquele lugar. Estávamos felizes por nos encontrarmos à volta daquela mesa corrida. Não degustamos nenhum brunch mas comemos um belo de um bacalhau à Zé do Pipo. Falámos de política, principalmente política. Mas também conversámos sobre viagens a Barcelona e férias na Costa Vicentina. Falámos de caminhadas, de ténis, de ioga e de retiros espirituais. Falámos dos nossos filhos adolescentes, dos adultos e da minha criança. Falámos de trabalho. E claro de sexo. Mas como se isso fosse a coisa menos importante das nossas vidas independentes e emancipadas. Éramos cinco. Uma loira, duas ruivas e duas morenas. Éramos um grupo divertido de quarentonas mas não parecíamos ter saído das Donas de Casa Desesperadas parecíamos isso sim uma versão lusa do Sexo e a Cidade. Até porque estamos bem mais conservadas que as actrizes da série.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Adeus King

Na última semana uma das noticias que mais mexeu comigo foi esta. Os Trevos mais velhos desta casa gostavam deste cinema não só pelo cinema como também pelo café e pela livraria. Aliás a última vez que lá estivemos foi por ocasião do lançamento de um livro de um amigo do Sr. do Trevo.
Infelizmente é um cinema que vai para rol das salas que desapareceram como o Quarteto, o Mundial, o Saldanha Residence, o Londres, o Condes, os Alfas e o Éden. É verdade que também abriram novas salas, mas também é verdade que os filmes exibidos nas mesmas são mais comercias. Pronto, é mais um pouco  da coltura que morre.

Só e vazia


A madrugada chegou e eu ainda não passei pelo sono
O meu corpo está gelado e a minha alma está deserta
Lá fora já se ouve o chilrear dos passarinhos
O sol vai nascer no rio envolto num céu cor de rosa
E o meu corpo teima em não descansar
Estou só e vazia no meu tormento
Não há maleita mais destrutiva 
Do que a p*** da insónia

domingo, 10 de novembro de 2013

Eu tenho uma mala chique...

O meu lado mundano gosta muito desta malinha da Louis Vuitton:


Mas como não tenho orçamento para dar 660€ por uma mala (e mesmo se tivesse não dava) comprei esta malinha chique que encontrei na Parfois por 23€.


E assim sou eu: chique e económica.



100 Anos

Ontem fiquei a saber que mais uma minha colega de faculdade tinha sido despedida. Motivo: redução de custos. Afinal parece que o senhor sempre tinha razão.



Saúde Mental

Esta notícia ficou-me a remoer a semana toda.
Suicídios são acontecimentos que mexem comigo. Não só porque já andei lá perto mas porque neste caso foi levado para a morte uma criança inocente. Isso não consigo compreender. Também nunca estive numa situação de disputa familiar. O que não entendo é como ninguém ajudou esta senhora.
De qualquer das formas o que me apraz dizer sobre este assunto é que a saúde mental não está suficientemente implantada no nosso país. Por um lado há ainda a ideia que um psiquiatra é só para maluquinhos. Ora os maluquinhos de verdade são precisamente os que andam mais equilibrados e fazem vidas absolutamente normais e corriqueiras. Por outro lado o acesso à primeira consulta de psiquiatria, no Hospital Júlio de Matos por exemplo, leva uma eternidade. E esse tempo em excesso é crucial para uma pessoa que está com problemas graves a nível mental. As consultas de psicologia no SNS são uma raridade. E mesmo quando se recorre ao privado o panorama não é brilhante, parece que os médicos não estão atentos aos sinais das doenças mentais. No meu caso, foi preciso 14 anos e mudar de médico para me diagnosticarem correctamente a doença. E uma das primeiras médicas que me acompanhou chegou a dizer que o meu problema é eu era muito sensível. E pois sou, sensível e bipolar.

Placebo - Pure Morning

sábado, 9 de novembro de 2013

Capítulos da vida na Trevolândia #4

O pai foi jantar fora com uns antigos colegas da faculdade. Faz-lhe  bem.
As crianças ofereceram-se para fazer o jantar. Pelo cheiro, parece a apetitoso.
E eu estou por aqui ouvindo o meu canal de televisão preferido, o VH1, e passando roupa a ferro.
Às vezes os momentos mais confortantes são os mais prosaicos.
 
Sonique - It feels so good

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Capítulos da vida da Trevolândia #3

Filho - Pai, esta semana tivemos um sismolácro na escola.
Pai - Não é sismolácro que se diz, é simulacro.
Filho - Oh pai, isso é quando é um incêndio. Quando é um sismo é sismolácro. Não percebes nada...

Musica do Trevo #14

Ben Pearce - What i might do

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Música do Trevo #12

 
Suede - She´s in Fashion

Estica, estica, arrebita #2

Há dias assim. Dias em que corremos da natação para a aula de guitarra. Da aula de guitarra para o ballet. Dias em jantamos mais tarde. Dias em que transportamos mais bagagem do que se fossemos passar quinze dias a Punt Cana. Dias em que os tpc são feitos a correr. Dias em que não há leitura de uma história. Dias em sinto que estiquei mais que qualquer exercício de ballet. Dias em que caimos redondos na cama. Hoje é dia.

Música do Trevo #11

Art of Noise - Moments on Love


sábado, 26 de outubro de 2013

Ironia

Ironia, é esta família, que tem uma mãe doente mental crónica, ser porto de abrigo a duas pessoas que nos são muito queridas e estão a sofrer judiarias de um familiar absolutamente insano que precisa urgentemente de um internamento compulsivo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Maria Keil


No passado domingo fomos ver a exposição de Maria Keil que está patente no Palácio da Cidadela de Cascais. Fiquei emocionada. Desde sempre, desde que me lembro, e mesmo sem saber que era obra dela já gostava do que ela criava. Lembro-me de ter uns cinco anos e vir à cidade grande e ficar admirada com os azulejos que decoravam as estações de metro. Depois o meu primeiro livro da primária tinha ilustrações dela. E do que gostava daqueles bonecos. 
Mais tarde, no ciclo preparatório, tivemos um trabalho nas disciplinas de Português e Educação Visual que passava por ilustrarmos o livro de Matilde Rosa Araújo, "O Palhaço Verde". Este livro tem ilustrações de Maria Keil e assim durante um certo período de tempo, e como os meus desenhos foram muito gabados, senti-me um bocadinho a Maria Keil.
Por causa deste trabalho a própria escritora fez uma visita à nossa escola. Pude conversar com ela. Almoçar lado a lado. Senti-me verdadeiramente importante.


Na altura de seguir o meu futuro não fui para a área das artes, como era minha vocação, por sentir que isso não ajudava à descompensação que nessa altura já existia dentro de mim.
Porém nunca deixei a arte e de gostar das obras dos artistas com quem me identifico. Maria Keil é uma delas.
Quanto ao "O Palhaço Verde" há por aqui uma edição de 2002 para os meus filhos e os meus desenhos devem andar amarelecidos e guardados na casa dos meus pais.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

I´m not alone

 
 
O Sr. do Trevo voltou
Mas nunca me senti sozinha
Ou blue
 
Conduzi bem os vários
comboios que são a minha vida
 
Estou mais forte
Mais positiva
Mais determinada e independente
 
Agora sei qual é o meu limite
E o meu limite passa por rasgar o céu
 
O pai viveu uma experiência singular
Os meninos tiveram de ser ainda mais responsáveis
E a mãe vislumbrou um caminho cada vez mais harmonioso
 
Ser bipolar não é o fim
É sim o início de um caminho
Que pode ser iluminado e gratificante
Basta nós queremos
 
Nós nunca estamos sozinhos
Temo-nos a nós próprios


sábado, 12 de outubro de 2013

O gato e o escuro

Mia Couto / Danuta Wjciechowska
 
Esta semana o pimpolho leu este livro. Trata-se da história de Pintalgato, um gato desobediente que tem uma má experiência. No entanto, tudo acaba em bem pois não passava de um sonho.
O meu filhote embrenhou-se de tal maneira na história que ficou bastante preocupado quando o gato quebrou a regra da sua mãe.
Adorámos a história e os desenhos. E ficámos mais ricos com as palavras de Mia Couto como pirilampiscavam e adentrou.
 
 
 

De conduzida a condutora


Quando esta música surgiu nos anos oitenta eu emocionava sempre que a ouvia. Nessa altura já sofria com a doença bipolar sem o saber e sentia que precisava de ser "conduzida".
Mais tarde encontrei a pessoa que é hoje meu marido e senti-me apoiada. Mas esse apoio não foi suficiente quando a minha filha nasceu e nessa altura tive de ser internada e comecei a fazer tratamento para uma suposta depressão. Essa "depressão" durou catorze anos e a medicação parecia não funcionar e nem o apoio do Sr. do Trevo era suficiente forte para travar a força da loucura que me assolava. Fui novamente internada, mudei de médico e, finalmente foi-me diagnosticado meu sofrimento. Era a doença bipolar.
A partir daí foi tudo fácil, a medicação deixa-me serena, tenho o apoio do meu marido, da minha família e até dos colegas do trabalho. Mas no entanto estou sempre a ser conduzida e apoiada.
Mas na última semana e meia tenho estado sozinha com os meus filhos e tenho sido eu a conduzir este barco. E tenho-me saído bastante bem. Tanto, que os meus filhos, e apesar das saudades do pai, têm comentado que estão bem e superfelizes.
E é assim. Numa altura do ano propensa a crises como o Outono, passei de conduzida a condutora.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pessoas invisíveis

 
 
Ontem foi o Dia Mundial da Doença Mental e eu nem me lembrei disso. Estive tão ocupada com o trabalho, a fazer de mãe e de pai, pois por estes dias o meu pilar encontra-se no centro da Europa, que esse dia passou por mim e eu nem dei por ele. No entanto é um dia bastante importante pois acredita-se que pelo menos uma em quatro pessoas tenha um problema psiquiátrico ao longo da vida.
 
E eu sou essa pessoa em cada quatro. Já estive internada pelo menos umas três a quatro vezes. Já compartilhei enfermarias com pessoas com graves problemas mentais. Já perdi o tino por algumas semanas e meses da minha vida.
 
Hoje vivo uma vida absolutamente normal mas cruzo-me no meu bairro com pessoas que estiveram internadas comigo. E elas continuam com um olhar distante e apático. Fumam cigarros atrás de cigarros encostados às paredes e ficam por ali. Os transeuntes passam por eles e nem se apercebem da sua presença. Estas pessoas são pessoas invisíveis. Infelizmente é essa a forma como a nossa sociedade trata este problema. Com descriminação e com invisibilidade. Por isso lembrar este dia é de toda a importância.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estudo comparativo

Hoje quando fui deixar o Sr. do Trevo ao aeroporto levei:
- 1 mala;
- 1 malinha para levar na cabine;
- 1 mochila.
 
Quatro horas depois quando levei o pimpolho à escola carreguei com:
- 1 mochila para a escola;
- 1 mochila para o apoio psicopedagógico;
- 1 saco do almoço;
- 1 lancheira;
- 1 saco da natação.
 
Podia ser pior. Houve um tempo que cheguei a levar para a escola de duas crianças:
- 1 mochila,
- 2 sacos de almoço;
- 2 lancheiras;
- 1 saco da ginástica;
- 1 saco de ballet.
 
Por aqui, todos os dias de manhã é como partir para uma nova viagem, descobrir novas coisas, crescer e aproveitar a vida.

domingo, 29 de setembro de 2013

Cinzento, rosa, vermelho e laranja

Hoje acordei a meio da manhã com vontade de pular para a vida.
Preparei-me para sair. O dia estava cinzento mas mesmo assim coloquei o meu lenço rosa, vermelho e laranja.
Saímos de casa e logo encontramos a nossa porteira que já ia votar.
Percorremos o centro do nosso bairro.
O chão estava coberto de folhas secas que se acumulavam nos cantinhos.
Encontramos pelo caminho um colega de trabalho que também é nosso vizinho.
Aquela hora havia mais gente na rua do que é habitual. Certamente por ser dia de eleições.
Tomamos o pequeno almoço na Padaria Portuguesa. Soube-nos muito bem.
Levámos uns croiassants  para o pequeno almoço da criançada lá de casa e fomos votar.
Cruzámos o parque, sentimos o cheiro da terra molhada e a alegria do chilrear dos passarinhos.
Encontrámos vizinhos que iam votar e outros que já tinham votado.
Caia um chuva miudinha.
Votamos e voltamos a casa. Há muito a tratar. O Sr. do Trevo vai viajar.

sábado, 28 de setembro de 2013

Apelo ao voto

Nem sempre em Portugal foi possível votar. 
Às mulheres só foi concedido esse direito há cerca de 40 anos. 
Nem sempre foi possível termos uma palavra a dizer sobre quem nos governava. 
Nem sempre foi possível dizer de nossa razão.
Por isso amanhã vote. 
Vote à esquerda. Vote à direita. Vote ao centro.
Vote no partido da terra. Vote no partido dos animais. Ou vote no partido dos demais.
Vote na vizinha debaixo ou no desconhecido candidato.
Vote branco. Vote nulo.
Mas vote.
Abster-se é que não vai servir de nada.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Mordomo

Antestreia O Mordomo: contemplados

A minha vida é feita de uma correria, organizada, cronometrada e regrada que me permite, mesmo sofrendo de uma doença crónica, ter uma vida mentalmente saudável. Considero que a minha vida é um exemplo de como se pode viver bem com a doença bipolar, por isso criei este blog, mas há um se não, na minha vida é difícil arranjar um tempinho para actualizar o blog com todas as coisas boas, interessantes e dignas de nota que me acontecem.

Um exemplo disso é o filme "O Mordomo". Já o fomos ver há uma semana mas só agora tenho o tal tempinho. Andava muito curiosa em ver o filme até porque a banda sonora é do nosso Rodrigo Leão. Gostei muito da interpretação da Oprah Winfrey. Não me admirou, já tinha gostado muito da prestação dela em "Cor Púrpura". Foi engraçado ver também o Lenny Kravitz e a Mariah Carey dando vida a personagens do filme. A história do filme é bastante interessante porque a vida do mordomo vai-se cruzando com a História da América do século XX. No entanto, tanto eu como o Sr. do Trevo achamos que foi contada de uma forma um pouco morna e monótona. Podia ser melhor.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

E nem de propósito começou a chover

José Luís Peixoto - A mãe que chovia

Este é o livro que o meu filho tem estado a ler antes de adormecer. É um livro que nos fala sobre uma mãe especial e sobre um filho igualmente especial. É uma história de amor entre uma mãe e um filho. E isso é um bocadinho o que se passa por aqui, eu ando bem a maior parte do tempo mas não deixo de ser uma mãe diferente e um bocadinho "louca" (no sentido positivo). Por outro lado, o meu filho é também especial. É muito doce, meigo e cheio de espírito de iniciativa. 

"... e, como uma árvore, como um campo, como a natureza, recebeu o carinho da sua mãe, que o cobriu."
- É linda esta história, mãe - disse o Menino do Trevo quando acabou de ler o conto.



Há também a referir que as ilustrações de Daniel Silvestre da Silva são belíssimas.