domingo, 26 de maio de 2013

A visão do mundo mudou

Num fim de tarde desta semana, quando ia comprar coisas para o lanche dos jovens que tinha cá em em casa a fazer um trabalho de grupo, cruzei-me com a porteira do meu prédio. E ela contou-me que havia dois dias atrás uma nossa vizinha da torre mais abaixo se tinha atirado da janela. Mais outro infortúnio igual ao tinha acontecido o ano passado por esta altura. Fiquei um bocado perturbada com a notícia e quando cheguei a casa comentei com a malta que tinha cá em casa. Mas eles não ficaram perturbados nem sensíveis. E até me recordaram de todas as vezes que recentemente isto tem acontecido aqui para os meus lados. As pessoas andam deprimidas, a crise potencia mais estas situações e o que antes era um acontecimento ocasional agora passou a fatídicamente frequente. Estes jovens sempre conheceram o mundo assim porque em 2008 quando a crise começou eles eram umas inocentes crianças. E nessa altura quando começaram a despertar para a vida os dias ficaram cinzentos.
O que as coisas representaram para mim já não são o mesmo para eles. O Erasmus já não serve só para conhecer novas culturas como também é forma de arranjar contactos para um futuro emprego. O Interail não é só uma forma de visitar países como também é um meio para deixar currículos em centros de emprego por essa Europa fora. Fazer um mestrado no estrangeiro já não é um luxo, é uma boa  forma de arranjar emprego.
Eles ainda não têm maturidade para perceber que é uma tragédia perder uma vida humana desta forma. Mas infelizmente têm razão quando acham que é uma situação comum. O mundo mudou e eles já vieram formatados com essa mudança.

Circo

Miguel Sousa Tavares chamou palhaço a Aníbal Cavaco Silva. Essa afirmação criou grande celeuma e a intervenção da PGR. Ora eu não sei porquê. Cavaco Silva é não só um grande palhaço como é a trupe inteira do circo. Ele foi equilibrista quando ditou o fim da agricultura e das pescas e agora vem dizer que é preciso investir nessas áreas. É mágico quando transforma três boas reformas numa pensão que nem lhe dá para as despesas. E é vidente quando vende acções do BPN antes daquilo dar o estoiro.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Georges Moustaki 1934-2013


A minha infância está cheia de cores, sabores, sons e música. Música que os meus pais ouviam. Música da geração do Maio de 68. Música que acabei por ouvir e também apreciar. Esta era uma das músicas.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Dezanove

O casamento feliz não é um contrato nem uma relação. Relações temos nós com toda a gente. É uma criação. É criado por duas pessoas que se amam.
O nosso casamento é um filho. É um filho inteiramente dependente de nós. Se nós nos separarmos, ele morre. Mas não deixa de ser uma terceira entidade.
Quando esse filho é amado por ambos os casados - que cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Têm também  de amar o casamento que criaram.
Miguel Esteves Cardoso in "Como é linda a puta da vida"


Hoje o meu casamento feliz faz dezanove anos e eu não poderia estar mais de acordo com estas palavras do MEC. Nem todos os dias destas quase duas décadas foram felizes, houve muitas discussões pelo meio, muita raiva e muita zanga. Mas houve muitos momentos em que parecia não haver saída e tinhamos a mão do outro para nos agarrar. Momentos como todas as vezes em que estive doente ou quando ele perdeu o emprego. E são esses momentos que fortalecem um casamento e fazem-no feliz.
Por fim houve os nossos meninos que são a nossa principal criação.



domingo, 19 de maio de 2013

Mézinhas caseiras

Esta semana extrai um dente do sizo que não me fazia falta. Tudo correu bem mas depois fiquei com imensas dores. Estava a comentar o meu incómodo com a minha criança quando ela me faz a seguinte pergunta:
- Queres que te faça uma massagem?
- Não querido. Isto dói só de tocar, uma massagem não é o mais adqueado.
- Ai é. Então, queres que te vá buscar uma água das pedras?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A vida na Trevolândia

Ontem fizemos uma sopa maravilhosa... O pai esqueceu-se de pôr sal e a mãe de pôr azeite. E aqui a tótó não percebia por raio os miúdos não gostavam da sopa.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

PDI

Sabemos que fomos agarrados pelo PDI quando a nossa princesa nos pede para ir ao Salódromo e temos que autorizar pois ela já tem idade para ir a essas festas.

Défice de Atenção

Notícias que me fazem acreditar que o meu filho vai ser um grande homem.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mumford & Sons - I Will Wait


Esta música tem a propriedade de me fazer regressar ao passado, regressar à minha adolescência, regressar ao campo e ao azul do mar.

Bonito, sim mas muito convencido

Conversa elevada com o meu filho de 9 anos a propósito da dificuldade que algumas pessoas têm em arranjar namorada:
Fiho - Eu não tive problema nenhum.* Eu sou atraente.
Mãe - Ai é.
Filho - Sim, sou bonito. Tenho sardas e visto-me bem.**

* - Ele tem a mesma namorada desde os 3/4 anos.
** - Esta juro não percebo, ele veste farda na escola... deve ser das peúgas que é onde tem liberdade para variar um bocadinho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Boa música e eficaz


Sixto Rodriguez - I Wonder

Quando descobri aqui esta música o meu filhote estava a fazer os TPC. Normalmente ele faz os TPC de empurrão mas neste dia ele fez os TPC num ápice porque estava a gostar muito da música, sentia-se calmo e concentrado no que estava a fazer. E cheguei à conclusão que esta música além de muito boa é muito eficaz em meninos com défice de atenção. Tenho que pôr mais deste tipo de música na hora dos TPC.

domingo, 12 de maio de 2013

Felizmente tão inocente

No princípio da semana quando estava a ler este este post da Sónia Morais Santos fui surprendida pelo meu filho. Curioso como ele é quis logo saber do que se tratava e eu lá lhe expliquei que o cartaz permitia ser lido de duas formas diferentes uma para adverter os adultos e outra para ajudar as crianças vítimas de maus tratos. Mas ele respondeu-me que não era isso que queria saber o que queria saber era porque razão o menino apresentava nódoas negras e sangue. E naquele instante apercebi-me, felizmente, que o meu filho não fazia ideia do que eram maus tratos infantis. Como ele já é crescidinho e o tenho que o preparar para a vida lá lhe expliquei do que se tratava: de que havia pessoas más (ia a dizer malucas mas corrigi a tempo), muitas vezes os pais dos meninos, que lhes batiam, mas não eram nada como as palmadas que ele às vezes levava, que era um bater muito forte e que às vezes acabava na morte dos meninos. No fim da explicação dada por mim e pela mana ele disse que tinha percebido mas a sensação que tenho é que não lhe entrou nada daquilo que lhe tinha explicado na cabeça dele porque no mundo dele maus tratos infantis é coisa que não existe. 
Nessa altura senti um calorzinho na minha barriga, sinal do meu orgulho por ter feito um bom trabalho mesmo estando muito doente como eu já estive. Porque estando completamente maníaca e com as crianças a meu cargo nunca fui violente para elas. Nessas alturas não fui uma boa mãe. Não lhes dei comida a horas nem os deitei às horas mais conveniente. Mas nunca lhes bati. Por mais desorientada, vazia e sem esperança que me senti-se nunca lhes bati. Porque a vontade de bater nos mais frágeis tem a ver com a natureza humana e não com o estado de doença em que nos encontremos. Bater nos filhos não é sinal de doença, é sinal de maldade. Para mim não serve de desculpa há e tal bate nos filhos porque está depremida. Isso é treta. Bate nos flhos porque é má, má pessoa.
Por exemplo, a mim faz me impressão aqueles casos das mães que se suicidam e levam os filhos atrás. Meus senhores eu já lá estive. Já pensei muitas e muitas vezes que a minha vida não fazia sentido. Mas nunca, nunca mesmo iria levar um filho meu para essa derradeira viagem.
Esses casos que se veêm tratados pela imprensa só servem para aumentar o preconceito contra as doenças mentais. Há doentes mentais que tem uma natureza má e fazem coisas más mas também há muitos com um fundo bom. E até há muitos que vivem bem com a sua doença.
Quanto aos maus tratos infantis há por aí pessoas ditais "normais" com muita maldade dentro delas. Por isso aqui fica:


quarta-feira, 8 de maio de 2013

A locura da Quarta-Feira

Quarta-feira, depois do trabalho. Buscar a criança à escola e levá-la para o apoio psicopedagógico. Ir pôr a  adolescente ao ballet. Ir buscar o pequeno ao apoio e ir pô-lo ao piano. O pai foi buscar a princesa ao ballet. Aula de piano dada é hora de ir para casa. Dar o reforço do lanche ao mais pequeno. Ajudá-lo nos TPC. Banho do pimpolho. Ir levar a mais crescida a casa de uma amiga para jantar. Voltar pela avenida cheia de semáforos luminosos. Ai que estas luzes fazem sinapses nocivas no meu cérebro bipolar. Jantar no shopping pois não há tempo para fazer sopa e o resto do jantar. Ir a correr ao supermercado. Tomar o lítio, o ácido valpróico e a olanzapina. Pôr uma máquina de roupa a lavar. Preparar o saco da natação do crianço. Não, isso fica para de manhã. Ver da roupa para amanhã. Isso também se vê depois. Leitura de uma história pelo príncipe. Ufas...

NOTA: Este post teve de ser devidamente corrigido.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Ainda o dia da Mãe

Este ano, o dia da Mãe foi muito solar. Postal com uma flor feito pelo meu filhote. Almoço exótico feito pelo marido e pelo mais pequeno. Vinho da Herdade do Peso com moderação. Queijo de ovelha bordalesa. Café na esplanada na companhia dos pardais e dos pombos. Passeio pelo jardim da Gulbenkian. Cascatas. Peixes gordos. Patos. Mais pombos. Bebida refrescante no snack-bar. Espreitar a exposição dos Galápagos. Voltar a casa. TPC, muitos TPC. Tudo bom, muito bom mas com aquele friozinho na barriga por a minha mãe viver tão longe…

No fim do dia fazer o balanço que nem todos os meus dias da mãe foram como os de hoje. Já tive dias secos, ocos, insípidos e cinzentos por encontrar em hipomania, depressiva ou por estar em convalescença.
Esses também contam e não os posso esquecer porque com a experiência de todos os dias lunares cresci e passei a dar valor ao que é mais importante no dia da mãe e na vida. Estar com os filhos. Beijá-los. Amassá-los. Sentir o seu respirar. O seu calor. O seu cheiro.

O dia da mãe é todos os dias. É quando vemos os seus progressos na leitura. É quando verificamos que a nossa adolescente até tem as ideias bastante arrumadas. É quando eles chegam a casa e sabem a sal.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Notícias, notícias, boas notícias

Chegámos agora a casa vindos da pediatra. O meu filho engordou 1,600 kg em nove dias! Estamos no bom caminho. Agora é só continuar o trabalho em curso e ser persistente.

Rancho versus pizza

No carro:
- Oh mãe, o que é o jantar?
- Rancho.
- O que é isso?
- Comida de tacho com feijão e couves.
- Eu não quero isso faz pizza.
- Não, ontem já comes-te pizza.
- Oh, mãe vá lá!
- Não.
- Oh, mãe. Rinhau…rinhau…pizza…rinhau…
- Não.
- Rinhau…rinhau…pizza…rinhau…
- Não é não. E não me desconcentres pois estou a conduzir.
- Rinhau…rinhau…pizza…rinhau..rinhau…pizza… rinhau…rinhau…pizza.

Nisto faço o gesto para o botão off do rádio do carro com o intuito de desligar o som que vinha do banco de trás. É que faz juntar ao fim do dia uma mãe cansada com uma criança persistente.