segunda-feira, 21 de julho de 2014

domingo, 20 de julho de 2014

Amanhã

À conquista do Tejo

Hoje os homens do Trevo acordaram muito cedo para aproveitar a maré cheia. Equiparam-se e foram encontrar-se com uns amigos na foz do Trancão. Desceram o rio de canoa até ao Oceanário e voltaram a subir. O meu rapaz veio contando que foi "atacado" por peixes. Chegaram exaustos, com uma mochila cheia de roupa molhada mas muito contentes.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sexta à noite

Hoje o dia foi mau. Péssimo. Depois falo sobre isso.
Mas agora tenho três crianças espojadas na sala e duas adolescentes a fazer o jantar.
O pai vem tarde.
Já pus a mesa.
Entretanto vou dobrar meias. De quatro pessoas.
Adoro casas cheias e tarefas banais.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Hoje foi o dia


Há dias nas nossas vidas em que ficamos seguramente mais velhos. Hoje foi o dia. Fomos comprar uns ténis para a minha criança mais nova, aquela que ainda há poucos dias era um bebé, e chegámos à conclusão que o número do pé dele igualava o meu. Agora é só crescer até aos quarenta e picos.

Neves eternas ´tugas


Serra da Estrela - 12.Julho.2014

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O meu menino está a transformar-se num rapazinho

1º Indício
Há cerca de um ano atrás o pimpolho fez uma birra enorme no corredor dos produtos de higiene do Pingo Doce. Queria porque que queria levar um gel de banho da Nivea com um cheiro muito intenso daqueles que são próprios para engatar raparigas.
- O mãe mas o irmão do G. tem este gel!
- Não, isto não é próprio para a tua idade. O irmão do G. tem 19 anos e está no 12º ano!
- Oh mãe, tu não percebes nada. O irmão do G. tem 18 anos e já está na faculdade!
- Não levo.
- Oh mãe…
Claro que acabamos por levar o gel da Nivea com um perfume mais discreto.


2º Indício
Entretanto, amiúde, ele tem-nos pedido uns alteres.
- Oh mãe, preciso de uns alteres.
- Mas para que queres os alteres?
- Ora, para criar músculo. O irmão do G. tem uns.
- Oh J. mas o irmão do G. tem 19 anos!
- Não percebes nada. Já te disse que o irmão do G. tem 18 anos!
- 18, 19 anos, não interessa. O que interessa é que não tens peso suficiente para andar a criar músculo, primeiro tens que crescer.
Como no caso anterior os alteres ficaram para as calendas gregas.

3º Indício
Desde o Verão passado o pimpolho penteia-se com cera no cabelo. E depois canta:
- Eu sou giraço! G-I-R-A-Ç-O-O-O!
E quando acha que está bem vestido:
- Eu sou giraço! G-I-R-A-Ç-O-O-O!
E quando sai do banho e está perfumado:
- Eu sou giraço! G-I-R-A-Ç-O-O-O!
A propósito de nada:
- Eu sou giraço! G-I-R-A-Ç-O-O-O!

4º Indício
Em Maio o príncipe “obrigou-me” a ir à C&A comprar um monte de meias e boxers sem bonecos. É que o moço andava a sentir-se mal quando tinha que trocar de roupa no ginásio ou na natação pois, segundo ele, já não tem idade para ter roupa interior com figuras como do Faísca McQueen, do SpongeBob e, imagine-se, do Homem-Aranha.

5º Indício
O pipoco fez um raide à gaveta das T-shirts e tudo o que encontrou com bonecos descritos no 4º Indício foi encaminhado para o saco com destino à casa dos primos. Agora naquela gaveta, segundo instruções do próprio, só são permitidas camisolas sobre surf, caveiras e certo tipo de letras.

6º Indício
Desde que recebeu pelos seus anos um telemóvel, o príncipe passou a andar ocupado com a trocar mensagens. Por outro lado, de manhã vai a correr ao computador ver se tem mais pedidos de amizade no FB.

7º Indício
Pelo seu bom trabalho, no final do ano lectivo, o pimpolho recebeu um relógio digital no qual colocou uma série de alarmes:
- Mãe levanta-te! – e eu ainda sob o efeito da Olanzapina.
- Mãe são horas de sair de casa!
- Mãe já devia estar no ATL!
- Mãe só agora me vieste buscar!
- Mãe já devias ter chegado do ballet com a mana!
Só não há alarme para a hora de ir para a cama.


8º Indício e preocupante
- Pais, sabem que lá no ATL há 27 miúdas que gostam de mim e dão-me muitos beijinhos!
- …..(isto somos nós a abri muito os olhos)
- Sim mas não se preocupem, só 13 é que são sérias.

1º Não Indício
Ele ainda precisa de um carinho antes de adormecer

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Quando a doença mental é só mais uma característica

O S. trabalha no mesmo departamento que eu há mais de nove anos. É gestor e as suas funções desenrolam-se na área de gestão e planeamento de custos. É um trabalho que exige concentração, responsabilidade e muita dedicação. O S. está na casa dos trinta, é alto, moreno e bem parecido. Ele é também um tipo simpático, tranquilo, inteligente e interventivo. Ao almoço gosta de comer com o mesmo grupo de amigos que eu e é sempre muito divertido não só pela boa onda de todos nós como também pelo seu sentido de humor. Ele é casado e tem um filho mais novo que o meu. Como por vezes temos convívios de colegas ao fim-de-semana pude testemunhar que ele tem uma vida familiar estável. O S. mora no mesmo bairro que eu mas aqui nunca o encontro. No entanto, às vezes, cruzo-me com ele nas consultas do HJM. O S. é esquizofrénico.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Extraordinário

Ontem deu-se um acontecimento extraordinário na Trevolândia. Penso mesmo que os planetas se alinharam de forma a transmitir uma onda de serenidade a este lar. Ontem, ao fim da tarde, não apareceram meninos para brincar com o pimpolho. Não houve raides ao frigorífico. Não tive de ir a correr ao Pingo Doce comprar alimentos para gente esfomeada. Não houve convidados para o jantar. A pipoca não estava cá pelo que não tivemos de ir pô-la, esperar e trazer-la do curso intensivo de ballet. E não houve meninos ou adolescentes para dormir cá em casa. 
Tínhamos o jantar feito de véspera. Foi só jantar, arrumar a cozinha, estender roupa e por roupa a lavar.
Magnífico! Depois foi desfrutar de um serão com uma mão no ferro de engomar e um olho na Sic Notícias.
Assim em paz e tranquilidade.

Desde o início das férias isto tem sido um entra e sai de gente, palco de brincadeiras de pequenos turbilhões e um best of de festas do pijama. É bom, é verdade mas é preciso ter muita estaleca.

terça-feira, 1 de julho de 2014

A todos os pais dos Andrés deste mundo

Perder um filho é uma dor imensa.
É um vazio onde ecoa apenas o silêncio.
É perder o nosso testemunho. 
É enlouquecer.

Depois vem o tempo
A ferida sara
Mas a cicatriz fica lá
Rugosa e profunda