domingo, 21 de outubro de 2012

Lithium Flows in Me

Estava uma tarde calma e amena. Os passarinhos regressavam para os seus ninhos na copa das árvores. Aguardávamos pelo início da aula de piano do meu filho. O meu filhote explorava o "jardim" da associação e eu estava sentada sob o telheiro. Nisto oiço esta música interpretada por uma colega  do meu filho.

 
River Flows in Me - Yiruma

Imediatamente fico apaixonada por esta peça. Senti-me retratada.
Durante anos fiquei como que presa a uma pedra de um rio. Fiquei presa no lado da pedra onde crescem os limos do rio. Fiquei presa a noites passadas em claro. Presa ao frio da madrugada. Presa a cafés para me manter acordada. Presa à angustia e ao desespero de querer viver e não poder.
Depois, há dois anos e meio a trás, quando finalmente me diagnosticaram correctamente a minha doença, recebi a minha vida de volta. Ela voltou de um tempo tão lá atrás que não me consigo lembrar. E a minha vida começou a fluir como um rio. Sou capaz de acompanhar, com maior qualidade, os meus filhos. Tenho um maior coração para amar os meus filhos, o meu marido e os que me são próximos. Descobri o prazer de comer. Durmo bem e sempre com sonos reparadores. Consigo ler livros de enfiada. Dou uns toques na cozinha. Aprecio os passeios pela praia, pelo bosque e pelas montanhas. Enfim, gozo a vida. E tudo isto porque o lítio, o ácido valpróico e a olanzapina correm também em mim.

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