domingo, 19 de dezembro de 2021

Meia mulher

Estamos a seis dia do Natal e tenho a minha Árvore de Natal e as limpezas da casa por fazer. Hoje é Domingo e como sempre, desde sempre, só acordei à uma tarde. É assim desde que iniciei a medicação para a doença bipolar. Durmo, durmo e só durmo. Não consigo dar conta das tarefas domésticas e só dedico-me à cozinha de conforto e aos bolos. Porém isto nem sempre foi assim. Foi bastante pior. Quando andava mais medicada e antes quando andava super acelarada a comida desta casa era hambuguers, lasanhas pré feitas, salsichas e atum com arroz. Como andei doente durante bastante tempo e a recuperação foi lenta os meus filhos foram criados com este tipo de comida. Atualmente consegui transformar-me em boa cozinheira mas ainda faltam as tarefas de limpezas e organização da casa- Preciso também de chegar ao trabalho a horas pois isso iria transformar-me de boa funcionária para uma excelente funcionária. Necessito tanto desta modificação na minha vida... Até lá considero-me apenas meia mulher

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

A cozinha industrial de uma mãe bipolar

A mãe desta casa prepara refeições para cinco pessoas e faz dois bolos em simultâneo antes de ir ter uma aula de padel e depois de um dia de trabalho. Tirando isto, havia muito a dizer mas ainda tenho que fazer uma máquina de roupa, tomar um duche e fazer umas prendas de Natal.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O dia em que me reinventei

Neste dia decedi ser aquilo que sempre quis e não aquilo que os outros me impõem e me tornam infeliz. Quero ser uma pessoa com aspirações, gostos vincados e amor próprio. Deixo aqui uma imagem mirando um oceano cheio de oportunidades acompanhada da música de alguém que neste dia, há uns anos, pôs termo à vida por a sua alma perturbada não ter encontradado estabilidade. Esta estabilidade que eu encontrei, que me fez renascer aos poucos e poucos e que hoje me fez reinventar. Esperam-me dias solares, cheios de música, com muitos livros, muita paz e muito amor. Dias que cheiram ao cheiro das frutas, do mar, dar erva molhada... da lua no ceú de Novembro e de tantas outras coisas... Agora vou ali sonhar...

sábado, 23 de outubro de 2021

Status: Afastei-me da minha mãe, cortei relações com a minha irmã e reaproximei-me da minha filha

É triste este ponto de situação. Mas às vezes as pessoas supreendem-nos pela negativa, tiram-nos o tapete e dececionou-nos. A bem da minha estabilidade mental há que cortar o mal pela raiz mas isso dói, dói muito. Eu, de vez enquanto, ando descompensada mas globalmente não sou uma pessoa descompensada. O meu problema é que cresci num ambiente descompensado e agora foi a última gota. Já superei muitas vicissitudes. Esta vai ser mais uma. No meio de tanta dor tenho a alegria de reaproximar da minha filha. Se calhar valeu por isso.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

As minhas fronteiras

Este post de José Luís Peixoto despertou em mim a necessidade de falar sobre a minha fronteira, ou melhor sobre as fronteiras que a doença bipolar faz erguer à minha volta. Em meu redor existem três fronteiras. Estas não ocorrem em simultâneo, mas as duas primeiras surgem com a mudança cíclica das estações. A primeira surge quando os dias se tornam ou mais curtos ou mais longos. Quando caem as primeiras folhas ou nos primeiros pores-do-sol mais prolongados. Todos os anos é certo e sabido que na mudança do Inverno para a Primavera ou do Verão para o Outono esta fronteira surge à minha volta tão intransponível, tão sólida e tão fixa que não me permite transpô-la e encontrar-me com os braços de Morfeu. Passo noites em claro, noite brancas, dias cinzentos acompanhados de excruciantes dores de cabeça. Nestes dias, e apesar do meu estado pesaroso, tento fazer, sem sucesso tudo ou mais alguma coisa. Como me conheço e tenho autorização da minha psiquiatra deixo de tomara a paroxetina, passo olanzapina de 2,5 mg para 20 mg e passo a tomar, em sos, morfex 30 mg ou 15 mg (conforme as noites). Este acerto de medicação produz efeito e, passado alguns dias a fronteira erguida pela mania dissipa-se, mas eis que em meu redor se constrói uma nova fronteira, um novo poço. Nestas alturas fico triste, qualquer pequena coisa me magoa, só me apetece chorar, tenho receio em conduzir e perco a alegria. Estes são os sinais que avisam que tenho de mudar de estratégia. A paroxetina volta a ser introduzida aos bocadinhos e a dosagem da olanzapina vai diminuindo ao ritmo que o me corpo permite. Este ajuste começa a fazer efeito e eis que chego ao terceiro estado, à terceira fronteira, à fronteira de uma pessoa normal. Porém no meu caso esta fronteira não existe. Com a doença bipolar aprendi que neste estado não há fronteiras, aprendi a desfrutar e dar mais valor à vida, a dissipar fronteiras, a gritar para mim mesma que eu sou senhora do mundo e tudo o que existe no mundo, basta eu querer, me pertence. No meu mundo encanto-me com a arte, aprecio música, desfruto do prazer em ir ao teatro ou ao cinema, deleito-me com uma história escondida nas páginas de um livro, degusto uma bela refeição ou uma qualquer gordice. Tenho prazer em mergulhar no mar salgado, ouvir o som das cigarras na hora da calma, o desassossego dos pássaros em voltar aos ninhos pelo fim da tarde. Em suma a doença bipolar para mim foi uma sorte pois tornei-me numa apreciadora das coisas boas que a vida oferece e permitiu-me esbater quais queres muros que uma vida normal te impõe. Isto porque aquela força, aquela resiliência que existe dentro de mim para superar situações de crise, transformo-a e canalizo-a para sorver a vida de uma forma calma, tranquila e serena que só uma pessoa calejada pela doença pode ter.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

A inevitável mudança das estações e da concentração de serotonina

 


No início de Setembro chegam as primeiras chuvas, os primeiros ventos frescos e os dias encolhem.
O meu corpo, como um relógio, acusa estas mudanças. Fico com dores de cabeça excruciantes, passo noites em claro e começo a ouvir sons que só existem na minha cabeça.
Não existe nenhum acontecimento negativo, uma pressão extra no trabalho  ou uma situação familiar mais delicada. É apenas o meu corpo, o meu cérebro e a diminuição de serotonina a indicar que o Outono chegou.
Nestes dias ando ensonada, cometo pequenos erros, o trabalho transforma-se numa tarefa hercúlea e custa-me a conduzir, pelo que reduzo ao máximo esta tarefa.
Como já estou muito batida nestas situações, e tenho autorização da minha psiquiatra, deixo de tomar a paroxetina, passo a olanzapina para 20 mg e tomo, em SOS, morfex 20 mg. Quanto ao ácido valpróico e o lítio mantenho a mesma dosagem.
Além do cuidado com a medicação puxo por mim mesmo e não descuro a minha higiene pessoal chegando ao ponto de andar maquilhada.
Para não haver stress, programo todas as refeições para a semana e faço as compras correspondentes.
Deste modo supero a crise mais depressa e quando ela passar fico pronta para disfrutar mais a vida. 
     

domingo, 12 de setembro de 2021

Os sentidos nas férias

 


As minhas férias souberam a figos pretos colhidos pela manhã.

Souberam a apanha de amêndoas e alfarrobas.

Souberam a raios de sol tocando na pele e formando uma imensidão de sardas.

Cheiraram a barrocal nas roupas, nos espaços, nas casas e nos campos.

Souberam ao canto das cigarras pela calma.

Souberam a peixe grelhado e comida caseira feita pela minha formosa mãe.

Souberam a mergulhos no mar em água fresca e transparente de praias de areia branca a perder de vista.

Souberam a gelados de Dom Rodrigo em noites quentes de Verão.

Souberam a noites de lua cheia e luar projetado no rio.

Souberam a família e amigos.

Souberam a bolas de Berlim polvilhadas de açúcar e areia.

Souberam ao exótico sabor dos figos da Índia.

Souberam  a sal, algas, rochas e cardumes de peixes.

Souberam a nascer do Sol em promontórios e ocasos em praias sem fim.



terça-feira, 25 de maio de 2021

Colocando cada coisa no seu lugar

Após o bater no fundo que foi a minha vida em 2010, a recaída de 2011 e toda a privação de sono e depressão que sofri desde tenra idade, a minha existência foi recompondo-se. Aos poucos e poucos. Dia após dia. Atirando-me ao infinito e agarrando com unhas e dentes todas as oportunidades que encontrei no meu caminho. 

Assim, as coisas foram voltando aos seus lugares. Os livros voltaram às suas prateleiras, a minha pulseira de noiva voltou ao meu pulso, a ordem e a regra voltaram ao meu lar, o sono à hora que lhe pertence, a paz aos meus dias e o sol a todos os recantos da minha alma.

Ainda há coisas a fazer mas o principal já foi feito. Vou dando notícias.


domingo, 7 de fevereiro de 2021

Terceira Vaga

 Os dias são todos iguais.

A noite é igual ao dia,

E o dia é igual à noite.

Os dias seguem devagar e lentos.

Sempre na penumbra, sempre cinzentos.

Trabalho desde que me levanto.

Como, trabalho e deito-me.

Sempre igual, sempre ao mesmo ritmo.

Lá fora as pessoas vão caindo.

Sempre um avião, sempre ao mesmo ritmo.

Quando isto para,

Quando isto termina.

Quando podemos voltar a abraçar-nos.