quinta-feira, 28 de abril de 2016

A terra das panelas queimadas

A terra das panelas queimadas fica algures ali para os lados da minha cozinha. É o local onde a minha princesa faz as suas experiências de culinária. Às vezes oferece-nos uns legumes salteados mas ainda crus. Outras vezes deixa cozer o arroz tempo de mais que coze, coze, coze, coze, queima, queima, queima ficando tudo de um modo tão impróprio que o melhor é ir tudo para o lixo incluindo a panela. Hoje tivemos direito a bolonhesa de soja. Estava bom mas o lume da frigideira ficou ligado o tempo todo da refeição. Ela vai-se safando na cozinha mas...

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Estou com os cabelos em pé...

... depois de estar duas horas a estudar português com um pimentinha teimoso. Mas porém, com enorme satisfação pois a teimosia dele revela que está a desenvolver o seu próprio método de estudo e que não fica satisfeito com simples explicações de uma mãe que não está por dentro da matéria.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Fim de semana comprido

Opereta da escola do pimpolho. Dias mais longos. Nêsperas. Papoilas do campo. Colares de margaridas. Cravos da Revolução.
 
 
Lagoa. Praia. Sol, sal e areia.
 

Motocross num pequeno monte de areia com trotinetes. Gargalhadas dos primos. Brincadeiras partilhadas. Peixe grelhado. Comida da mamã com receitas da bisa. Ervilhas com ovos. Cozido de milhos e pão caseiro. Mousse de tangerina. Mimos ao pai velhote. Ameixeiras carregadas de fruto pequenino. Campo, muito campo de todas as cores e de todos os cheiros. Torneio de basquete entre as sobrinhas. Cruzar o Alentejo na Primavera. Festa de aniversário do melhor amigo da pré do pimpolho. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A fase porca dos miúdos

Esta mãe - J. P. vai já tomar banho! Olha já é a terceira vez que te mando para a banheira.
Pimpolho - Oh mãe mas eu não preciso de tomar banho.
Esta mãe - Ai é?
Pimpolho - Então eu uso o Axe nos sovacos e o desodorizante para os pés.
Esta mãe - Mas então e o rabo?
Pimpolho - Ora no rabo eu uso toalhitas.
Esta mãe - Agh!

terça-feira, 19 de abril de 2016

A m**** da insónia

A olanzapina dá-me muito sono de maanhã. Tanto que para me levantar de manhã é um filme. Reduzi a dose da olanzapina para 5mg. Correu mal. São quatro e tal da manhã e não consigo dormir. Daqui a umas horas tenho de ir trabalhar arduamente. Tenho que arranjar forças para ultrapassar isto.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

12 anos de Pimentinha

Hoje faz uma dúzia de anos que nasceu o Pimentinha. Tenho muito a dizer como foi conceber e levar avante uma gravidez sendo doente mental. Também tenho muito a contar sobre como têm sido estes 12 anos com este ser maravilhoso que nasceu entre nós, cresceu e hoje é um ser humano extraordinário. Mas hoje não posso. Tenho que preparar um jantar de família, comprar a prenda e tratar da festa com os amiguinhos. Por hoje é isto...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

E se fosse eu?

Muito se tem falado sobre a iniciativa promovida pela Plataforma de Apoio aos Refugiados em colaboração com a Direcção-Geral da Educação, o Alto Comissariado para as Migrações e o Conselho Nacional de Juventude, e que tem como objectivo a sensibilização para o acolhimento de refugiados através de se colocarem na pele de um refugiado e arrumem a sua mochila como se estivessem a fugir da guerra, a sair da sua casa e deixar o seu país. Esta acção colocou miúdos por todos o país a pensar nessa situação e uma artista plástica do nosso país sob a mira das mais variadas críticas mas isso é já outra praia.
E eu resolvi este exercício e passo aqui a expor.
Se fosse refugiada e tivesse que levar toda a minha existência numa mochila eu levaria uma muda de roupa, água, fotos dos meus dias felizes, telemóvel, lítio, ácido valpróico, olanzapina, paroxetina e mais dois tipos de SOS. Mas se eu fosse refugiada de um país em guerra não haveria nas farmácias estes medicamentos para trazer nem para os tomar com uma periodicidade diária. E se eu estivesse num país em guerra, sob stress traumático e sem medicamentos eu estaria doente, maníaca, com visões, ouvindo coisas, cheirando outras. Se eu estivesse doente, num país em guerra e sem medicamentos estaria neste momento num hospício a definhar lentamente pois a mania em mim leva-me a uma brutal perda de peso que pode conduzir à morte. Mas se eu estivesse doente num país como a Síria eu não estaria internada pois as instituições não estão a funcionar desde 2011, andaria a vaguear entre Damasco e  Baradun e muito dificilmente estaria viva pois se não tivesse morrido de exaustão o mais certo era ter cometido suicídio.
Assim, no meu caso, se estivesse num país em guerra, a mochila não me serviria de coisa nenhuma.
E quem diz eu, diz também os cardíacos, os diabéticos, os hemofílicos e todos os portadores de doenças crónicas. Ao longo destes cinco anos, quantos e quantas pessoas terão morrido na Síria não por bombardeamentos mas por falta de assistência médica e privação de medicamentos essenciais? Não sei, mas acho que valia a pena pensar nisto.

domingo, 10 de abril de 2016

A ritalina e Deus

Quando o Pimentinha tinha 6 anos de idade foi lhe diagnosticada Hiperactivdade e Défice de Atenção. Ele não lia, tinha dificuldade em juntar letras e dificuldade em fazer contas. Isso não nos assustou de início pois a Princesa também sofria de Défice de Atenção e sempre tinha tirado bons resultados na escola. Porém, com o Pimentinha o caso foi muito diferente e não havia maneira de ele atinar com a escola. Assim, primeiro começou por  fazer terapia com uma psicóloga  mas não resultou. Ele não tinha empatia com a técnica e por isso mudámos de psicóloga e com a Dra. C. foi tudo diferente, ele começou a ler, a escrever e a fazer contas. Mas continua a haver um senão, ele não acompanhava o ritmo da escola e estava a perder o comboio a olhos vistos. Fomos a outra pediatra do desenvolvimento e ela achou que o melhor para o nosso J. era ele passar a tomar metilfenidato. E os resultados foram incríveis, ele melhorou imenso nas notas, passou a ter interesse em matérias que antes não ligava nenhuma e o ano passado até esteve no quadro de honra. Hoje toma 30 mg de Ritalina de manhã aos dias da semana e chega. A Dra. L. (pediatra do desenvolvimento) também prescreveu Rubifene à tarde durante a semana e ao fim de semana na véspera de testes. Mas quanto ao Rubifene, e nessas situações, achámos melhor não lhe dar porque à tarde, no centro de estudos, ou ao fim de semana é sempre um estudo que está na relação de um para um (ele e um adulto), em que ele tem menos distracções e sempre consegue trabalhar e treinar sem o apoio da bengala química.
Mas há uma coisa que ele tem dificuldade em fazer ao fim de semana sem este tipo de apoio. E isso é: ir à missa. Para já só vai de arrasto. Depois entra na igreja cumprimenta as pessoas que conhece mas reclama por o Sol lhe bater nos olhos vindo de poente. No decorrer da missa vai fazendo as mais variadas perguntas, abraça-me, aperta-me os braços, faz mais perguntas, em suma está irrequieto o tempo todo. Levo o tempo todo a dizer chiu. Ir à missa com ele é muito cansativo, é um exercício de resistência.
Podia ir à missa e não levá-lo, é verdade. Mas para além da fé e dos valores cristãos,  ir à missa é uma prova de concentração, como as aulas e de futuro seminários, congressos, conferências. Daqui a seis anos, se tudo correr bem, o J. vai entrar no ensino superior e aí vai ter muitas "missas" de variadas matérias para assistir e onde terá que estar mesmo concentrado. Daqui a seis nos, o Pimentinha, em princípio já não estará medicado, e terá que se valer por si próprio. Daí que ir a uma missa, mesmo que não se saiba sobre a o que foi falado, e sem medicação, é um bom treino.

domingo, 3 de abril de 2016

Fim de semana sem o puto

O nosso pimentinha é muito absorvente. Ao fim de semana há sempre trabalhos de casa para concluir. Se não é isso, é porque tem que subir, de canoa, o rio Trancão entre o Tejo e o Loures Shopping. Ou tem de ir desde Sacavém até ao Terreio do Paço de bicicleta. Ou traz os amigos para casa para lanchar. Ou há uma festa de anos. Etc, etc.. De maneira que quando ele está com os avós a queimar os últimos cartuchos das férias, nós (eu e o pai) também estamos de férias. Assim, e como a princesa é bem crescidinha e independente, tivemos um fim de semana só para nós que foi aproveitado da melhor maneira.



Deste modo começamos por jantar, na sexta-feira, no Hansi que é um restaurante austríaco situado no Cais do Sodré. Tem umas salsichas e umas batatas de outro mundo e, tem a particularidade de me fazer reviver os bons momentos que passei em Viena. Depois fomos a um dos irlandeses do Cais tomar um Jameson. E também para o Sr. do Trevo foi um reviver de coisas boas porque ele estudou na República da Irlanda e tem muito saudosismo desse país.

 

No sábado começamos a tarde por ver a exposição Esconjurações de José de Guimarães na Fundação Millennium BCP. Tivemos imensa sorte, colámo-nos a uma visita guiada (ficámos a saber imensas coisas) e no fim ofereceram-nos um livros sobre o artista plástico. De resto adorámos a exposição, de facto J.G. é um dos nossos artistas da pop art mais marcantes e tivemos dificuldade em encontrar uma obra favorita. Adoro os temas, as cores, as luzes, enfim tudo. Nota curiosa, J.G. é também engenheiro militar, no ramo das telecomunicações, e é a prova que os engenheiros também têm sensibilidade para a arte e podem ser profícuos nessa área. Atenção que esta exposição é muito boa e só vai estar patente até 20 de Abril.


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Depois da exposição ficámos cheios de fome e fomos lanchar à Ferrari. Foi a primeira vez que lá fomos e gostámos imenso dos bolos (tem bolos de quase todas as regiões do país) e do atendimento. É um local a voltar aquando dos nossos passeios pela Baixa.



Por fim, na noite de Sábado fomos ao Jamaica no Cais do Sodré. Nós somos fans daquilo, adoramos a musica (anos 80), o ambiente, tudo. Pena é que aquilo, o Tóquio e o Europa  vão fechar para dar lugar a mais um hotel. Por isso temos que ir lá assíduamente antes da estocada final. Pronto, foi bom, gostámos, dançámos imenso e viemos, mais uma vez, felizes para casa.

Hoje ainda pensámos em ir ver uma peça de teatro mas as compras do supermercado, a roupa para passar e a organização da casa falaram mais alto. Fica para o próximo fim de semana.

E é isto, adoramos o puto, mas uns dias sem ele fazem-nos muito bem.
 

Hora de Hipnos Bipolar

São 3 da manhã. Acabei de tomar a olanzapina. 10 miligramas. Vou-me deitar. Espero não acordar. Não ter de vaguear entre a sala e a cozinha enquanto os outros dormem. Espero não ter de olhar o Norte e as luzes da cidade por entre as janelas. Espero que o nascer do Sol não me apanhe ainda acordada.