segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Música do Trevo #12

 
Suede - She´s in Fashion

Estica, estica, arrebita #2

Há dias assim. Dias em que corremos da natação para a aula de guitarra. Da aula de guitarra para o ballet. Dias em jantamos mais tarde. Dias em que transportamos mais bagagem do que se fossemos passar quinze dias a Punt Cana. Dias em que os tpc são feitos a correr. Dias em que não há leitura de uma história. Dias em sinto que estiquei mais que qualquer exercício de ballet. Dias em que caimos redondos na cama. Hoje é dia.

Música do Trevo #11

Art of Noise - Moments on Love


sábado, 26 de outubro de 2013

Ironia

Ironia, é esta família, que tem uma mãe doente mental crónica, ser porto de abrigo a duas pessoas que nos são muito queridas e estão a sofrer judiarias de um familiar absolutamente insano que precisa urgentemente de um internamento compulsivo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Maria Keil


No passado domingo fomos ver a exposição de Maria Keil que está patente no Palácio da Cidadela de Cascais. Fiquei emocionada. Desde sempre, desde que me lembro, e mesmo sem saber que era obra dela já gostava do que ela criava. Lembro-me de ter uns cinco anos e vir à cidade grande e ficar admirada com os azulejos que decoravam as estações de metro. Depois o meu primeiro livro da primária tinha ilustrações dela. E do que gostava daqueles bonecos. 
Mais tarde, no ciclo preparatório, tivemos um trabalho nas disciplinas de Português e Educação Visual que passava por ilustrarmos o livro de Matilde Rosa Araújo, "O Palhaço Verde". Este livro tem ilustrações de Maria Keil e assim durante um certo período de tempo, e como os meus desenhos foram muito gabados, senti-me um bocadinho a Maria Keil.
Por causa deste trabalho a própria escritora fez uma visita à nossa escola. Pude conversar com ela. Almoçar lado a lado. Senti-me verdadeiramente importante.


Na altura de seguir o meu futuro não fui para a área das artes, como era minha vocação, por sentir que isso não ajudava à descompensação que nessa altura já existia dentro de mim.
Porém nunca deixei a arte e de gostar das obras dos artistas com quem me identifico. Maria Keil é uma delas.
Quanto ao "O Palhaço Verde" há por aqui uma edição de 2002 para os meus filhos e os meus desenhos devem andar amarelecidos e guardados na casa dos meus pais.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

I´m not alone

 
 
O Sr. do Trevo voltou
Mas nunca me senti sozinha
Ou blue
 
Conduzi bem os vários
comboios que são a minha vida
 
Estou mais forte
Mais positiva
Mais determinada e independente
 
Agora sei qual é o meu limite
E o meu limite passa por rasgar o céu
 
O pai viveu uma experiência singular
Os meninos tiveram de ser ainda mais responsáveis
E a mãe vislumbrou um caminho cada vez mais harmonioso
 
Ser bipolar não é o fim
É sim o início de um caminho
Que pode ser iluminado e gratificante
Basta nós queremos
 
Nós nunca estamos sozinhos
Temo-nos a nós próprios


sábado, 12 de outubro de 2013

O gato e o escuro

Mia Couto / Danuta Wjciechowska
 
Esta semana o pimpolho leu este livro. Trata-se da história de Pintalgato, um gato desobediente que tem uma má experiência. No entanto, tudo acaba em bem pois não passava de um sonho.
O meu filhote embrenhou-se de tal maneira na história que ficou bastante preocupado quando o gato quebrou a regra da sua mãe.
Adorámos a história e os desenhos. E ficámos mais ricos com as palavras de Mia Couto como pirilampiscavam e adentrou.
 
 
 

De conduzida a condutora


Quando esta música surgiu nos anos oitenta eu emocionava sempre que a ouvia. Nessa altura já sofria com a doença bipolar sem o saber e sentia que precisava de ser "conduzida".
Mais tarde encontrei a pessoa que é hoje meu marido e senti-me apoiada. Mas esse apoio não foi suficiente quando a minha filha nasceu e nessa altura tive de ser internada e comecei a fazer tratamento para uma suposta depressão. Essa "depressão" durou catorze anos e a medicação parecia não funcionar e nem o apoio do Sr. do Trevo era suficiente forte para travar a força da loucura que me assolava. Fui novamente internada, mudei de médico e, finalmente foi-me diagnosticado meu sofrimento. Era a doença bipolar.
A partir daí foi tudo fácil, a medicação deixa-me serena, tenho o apoio do meu marido, da minha família e até dos colegas do trabalho. Mas no entanto estou sempre a ser conduzida e apoiada.
Mas na última semana e meia tenho estado sozinha com os meus filhos e tenho sido eu a conduzir este barco. E tenho-me saído bastante bem. Tanto, que os meus filhos, e apesar das saudades do pai, têm comentado que estão bem e superfelizes.
E é assim. Numa altura do ano propensa a crises como o Outono, passei de conduzida a condutora.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pessoas invisíveis

 
 
Ontem foi o Dia Mundial da Doença Mental e eu nem me lembrei disso. Estive tão ocupada com o trabalho, a fazer de mãe e de pai, pois por estes dias o meu pilar encontra-se no centro da Europa, que esse dia passou por mim e eu nem dei por ele. No entanto é um dia bastante importante pois acredita-se que pelo menos uma em quatro pessoas tenha um problema psiquiátrico ao longo da vida.
 
E eu sou essa pessoa em cada quatro. Já estive internada pelo menos umas três a quatro vezes. Já compartilhei enfermarias com pessoas com graves problemas mentais. Já perdi o tino por algumas semanas e meses da minha vida.
 
Hoje vivo uma vida absolutamente normal mas cruzo-me no meu bairro com pessoas que estiveram internadas comigo. E elas continuam com um olhar distante e apático. Fumam cigarros atrás de cigarros encostados às paredes e ficam por ali. Os transeuntes passam por eles e nem se apercebem da sua presença. Estas pessoas são pessoas invisíveis. Infelizmente é essa a forma como a nossa sociedade trata este problema. Com descriminação e com invisibilidade. Por isso lembrar este dia é de toda a importância.