segunda-feira, 16 de julho de 2012

Primeiros sinais

Primeiro começo por ficar completamente obcecada com um projecto.
Depois começo a trabalhar nele com tanto afinco que fico com a cabeça em frangalhos.
Ignoro as outras tarefas que tenho para fazer e começo a comer fora de horas.
Às tantas, quando me deito, estou tão eléctrica que não consigo dormir.
Acabo por dormir em sobressalto e às primeiras horas da manhã levanto-me pronta para agarrar o trabalho que tenho entre mãos.
O meu corpo fica contraído.
Não consigo comer.
Dói-me a cabeça e começo a tremer.
Tomo cafés e mais cafés.
Como gomas e mais gomas.
Oiço sons que não existem.
Sei hoje que estes são os primeiros indícios.
Então paro.
Deixo de tomar café.
Vou dar um giro ou tento dormir uma sesta.
E fico melhor, muito melhor.
Viver bem com a doença bipolar não passa só por tomar a medicação certinha.
É preciso estar bem atento ao mínimo sinal de uma crise ou de mania ou depressiva.
Desta vez a "doideira" não tomou conta de mim.
Para isso também foi importante a contribuição do meu marido.

sábado, 14 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A importância da Dona H.

O mundo é uma teia pela qual estamos todos ligados e onde todos somos importantes.

Só comecei a ser devidamente medicada há um par de anos. Por isso toda a minha vida me lembro de ter queixas que afinal eram sintomas da doença bipolar. Uma dessas queixas é a falta de apetite e o consequente desinteresse por tudo o que seja relacionado com a comida, desde cozinhar, comprar comida, saborear.
Por fim fui correctamente diagnosticada e hoje tenho muito prazer em comer, em conceber refeições e em preparar pratos gostosos.
É por isso que todos os dias vou almoçar ao restaurante onde a Dona H. cozinha. A comidinha da Dona H é um prazer, retempera as energias para enfrentar o trabalho e as milhentas tarefas que tenho como mãe. Ao mesmo tempo que vou saboreando os seus pratos vou tirando ideias que ponho em prática ao jantar para alegria da minha família.
Os meus colegas também gostam dos cozinhados da Dona H. E todos dias, à hora de almoço, junta-se uma turma bem disposta a degustar os seus pratos, cuja regra é: não falar de trabalho. Para mim este é um bom momento do dia e a Dona H. tornou-se uma pessoa importante nas nossas vidas.

Porém, hoje a Dona H. sentiu-se mal.

Rápidas melhoras Dona H.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Oriente

A junção das duas carruagens faz um barulho parecido com as velas de um barco.
A esta hora as pessoas viajam calmas e tranquilas.
Uma voz gravada indica que na próxima paragem há correspondência com a linha vermelha.
Saio. Segura. Em direcção à linha vermelha, em direcção a Oriente.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Sexy and free

Libertei-me das grilhetas da insónia.
Libertei-me do frio da madrugada.
O meu sangue está quente.
Corro para a vida.
Nada me faz parar.
É verdade que estou roliça.
Mas na verdade sinto-me sexy and free!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sono, muito sono

São oito horas. Eu sei isso porque o sino da igreja do outro lado do vale acabou de dar as oito badaladas. A aula de piano do meu filhote terminou. Está uma tarde calma e fresca de verão. Vou para casa mas antes ainda passo pelo Mc´Donalds para dar o jantar ao meu rebento.
Não estou deprimida mas o lítio, o ácido valpróico e a olanzapina prendem-me o ímpeto de fazer qualquer coisa. Não é preguiça, é apenas sono, muito sono. Todo o sono que não dormi nos anos em que vivi num estado de euforia.