domingo, 10 de abril de 2016

A ritalina e Deus

Quando o Pimentinha tinha 6 anos de idade foi lhe diagnosticada Hiperactivdade e Défice de Atenção. Ele não lia, tinha dificuldade em juntar letras e dificuldade em fazer contas. Isso não nos assustou de início pois a Princesa também sofria de Défice de Atenção e sempre tinha tirado bons resultados na escola. Porém, com o Pimentinha o caso foi muito diferente e não havia maneira de ele atinar com a escola. Assim, primeiro começou por  fazer terapia com uma psicóloga  mas não resultou. Ele não tinha empatia com a técnica e por isso mudámos de psicóloga e com a Dra. C. foi tudo diferente, ele começou a ler, a escrever e a fazer contas. Mas continua a haver um senão, ele não acompanhava o ritmo da escola e estava a perder o comboio a olhos vistos. Fomos a outra pediatra do desenvolvimento e ela achou que o melhor para o nosso J. era ele passar a tomar metilfenidato. E os resultados foram incríveis, ele melhorou imenso nas notas, passou a ter interesse em matérias que antes não ligava nenhuma e o ano passado até esteve no quadro de honra. Hoje toma 30 mg de Ritalina de manhã aos dias da semana e chega. A Dra. L. (pediatra do desenvolvimento) também prescreveu Rubifene à tarde durante a semana e ao fim de semana na véspera de testes. Mas quanto ao Rubifene, e nessas situações, achámos melhor não lhe dar porque à tarde, no centro de estudos, ou ao fim de semana é sempre um estudo que está na relação de um para um (ele e um adulto), em que ele tem menos distracções e sempre consegue trabalhar e treinar sem o apoio da bengala química.
Mas há uma coisa que ele tem dificuldade em fazer ao fim de semana sem este tipo de apoio. E isso é: ir à missa. Para já só vai de arrasto. Depois entra na igreja cumprimenta as pessoas que conhece mas reclama por o Sol lhe bater nos olhos vindo de poente. No decorrer da missa vai fazendo as mais variadas perguntas, abraça-me, aperta-me os braços, faz mais perguntas, em suma está irrequieto o tempo todo. Levo o tempo todo a dizer chiu. Ir à missa com ele é muito cansativo, é um exercício de resistência.
Podia ir à missa e não levá-lo, é verdade. Mas para além da fé e dos valores cristãos,  ir à missa é uma prova de concentração, como as aulas e de futuro seminários, congressos, conferências. Daqui a seis anos, se tudo correr bem, o J. vai entrar no ensino superior e aí vai ter muitas "missas" de variadas matérias para assistir e onde terá que estar mesmo concentrado. Daqui a seis nos, o Pimentinha, em princípio já não estará medicado, e terá que se valer por si próprio. Daí que ir a uma missa, mesmo que não se saiba sobre a o que foi falado, e sem medicação, é um bom treino.

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