Como eu já sabia que este livro era muito bom, a meu pedido, o mesmo foi-me oferecido pelo Natal pelo meu marido. Mas depois de acabar de o ler constatei que este livro é além de muito bom é excecional, possui uma escrita poética, prende e é completamente maravilhoso.
A história desenrola-se à volta de Violette Toussaint que é guarda de cemitério de uma vila da Borgonha. A acompanhá-la encontramos três coveiros, três agentes funerários e um padre. A vida dela é preenchida por tratar do cemitério, da pequena horta/jardim e pelas confidências, comoventes, trágicas, cómicas dos visitantes. Até que um dia aparece no cemitério um chefe da polícia, Julien Seul, que pretende deixar as cinzas da mãe sobre a campa de um desconhecido.
E é desta forma que entramos dentro de uma matrioska de histórias entre o passado e o presente. As aventuras da mãe de Julien Seul, a antiga vida de Violette como guarda de uma passagem de nível, o início da vida de Violette, a vida de Violette com o seu fugidio marido, a filha de Violette.
Este livro é por vezes muito dramático, tem muita tristeza, traições, paixões, segredos, mas também é cómico, irónico e sarcástico. O nome da personagem principal é só por si irónico, Violeta (nome de flor) Todos-os-Santos.
Toda a história, e histórias, são emocionantes. Vamos acompanhando a vida de Violette, o diário de Irène (mãe de Julien Seul) e mais no final o marido de Violette, Philippe Toussaint.
É um livro que nos fala da morte, mas principalmente da vida, de honrar a vida. Fala-nos também da solidão, do amor, da amizade, flores, jardins, gatos, cães, muito sol, Verão e mar.
Violette é uma personagem fascinante. Possui dois guarda-fatos. Um chamado de “Inverno” e outro de “Verão”. No guarda fatos de “Inverno” só possui roupa clássica e sombria destinada aos outros, no de “Verão” só contem roupa clara e colorida destinada a ela. Possui também um caderno onde anota dados sobre todos os funerais que vão ocorrendo no seu cemitério. É uma pessoa generosa, sensível, trabalhadora e inteligente.
A casa dela, onde recebe os colegas e visitantes do cemitério cheira bem, é aconchegante. Enfim, é uma personagem linda que com tudo o que lhe foi acontecendo tinha tudo para correr mal, mas que com a sua perseverança, resiliência conseguiu curar a dor e a tristeza.
A personagem de Violette está bem construída assim como todas as outras das quais se destaca Sasha, o antigo guarda do cemitério que na história teve a capacidade de recuperar Violette dos infortúnios que lhe aconteceram.
“A breve vida das flores” é um livro extraordinário, que tem a capacidade de nos tocar no coração. É uma leitura que marcante, que nos completa e nos fica na memória.