domingo, 16 de outubro de 2022

Dia mundial da doença mental

No passado dia 10 de Outubro assinalou-se o dia mundial da doença mental. Logo de manhã a I., que conheço pessoalmente graças a este blogue, publicou uma storie a lembrar este dia. Fiquei logo a pensar que nessa segunda feira era um bom dia para escrever no blogue e falar deste tema. Poderia escrever sobre as minhas mais recentes conquistas pois actualmente tomo 1/6 da medicação que tomava por esta altura em 2010. Também podia falar do meu amigo e colega G. que a vida pregou-lhe uma partida, teve um burnout e agora está a ter alguma dificuldade em reeguer-se. Há outro assunto que poderia abordar, a minha seguidora N. do outro lado do Atlântico, a última vez que deu notícias foi em Agosto e estava bastante deprimida, situação que me deixa muito preocupada. Por fim, poderia dar uma visão positiva e contar sobre o filho de uma amiga minha, que sofre de transtorno de personalidade limítrofe e diabetes tipo I mas conseguiu atingir uma certa estabilidade na sua vida e recentemente pediu a sua namorada em casamento. Nesse dia poderia escrever sobre muita coisa mas esse dia não era dia. As feridas que o lítio me provocam nas palmas nas mãos nesse dia estavam especialmente muito acesas, e depois de um dia intenso no escritório, dificilmente conseguiria teclar alguma coisa. Assim, no final do dia, e em vez de me dedicar à leitura, estive a relaxar no instagram e acabei por dar com este texto do Diogo Faro que é um pensador que muito prezo.
E eu senti-me retratada neste Esteves. Eu um dia também fui o Esteves. Aliás fui o Esteves em várias alturas da minha vida. E é muito importante falar sobre o Esteves e todos os Esteves que se cruzam connosco. Porque o aconteceu ao Esteves, o que me aconteceu, pode acontecer a qualquer um de nós e é preciso falar muito sobre isso e não ostracizar as pessoas que estão a passar, ou têm de viver a vida toda, com este problema. Principalmente, porque por causa da crise que estamos a passar irão aparecer muitas pessoas com problemas de saúde mental. Assim, como gostei muito do texto do Diogo e da atitude dele e dos amigos para com este senhor resolvi enviar-lhe esta mensagem:
E não é que o Diogo gostou da minha mensagem e sentiu por isso que tinha valida a pena publicar o seu texto que depois postou a minha mensagem nos seus stories. E melhor ainda, deu-me autorização para publicar a história do Esteves no meu blogue! Isto foi demais, uma pessoa a quem eu subscrevo muito a sua linha de pensamento, uma pessoa que eu considero quase um filósofo do nosso tempo, trocou mensagens comigo! Publicou a minha mensagem! Não mereço tanto. Melhor que isto só se o José Luís Peixoto troca-se mensagens comigo. Minha nossa...

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Nenhum Olhar

Este livro estava no sítio dos livros por ler há muito tempo. Comprei-o na vertigem louca que me faz adquirir os livros sobre os quais leio boas críticas. Comecei a lê-lo na viagem que fiz ao centro da Europa para visitar a minha cria mais velha. E levei muito tempo para o acabar. Primeiro porque a minha vida é uma correria: a minha cruz, projetos e mais projetos, cozinhar para uma família completa, tratar de uma casa grande, conviver muito com os amigos que acabo por chegar à noite completamente exausta e sem capacidade de me concentrar sobre as linhas de um livro. Depois porque as palavras deste livro são simplesmente lindas. Precisam de ser lidas com atenção, com cuidado, saboreadas. É uma história triste, muito, muito triste passado num Alentejo profundo que já não existe. Passado num meio rural que cheguei a conhecer e por isso me faz compreender cada palavra, cada sensação, o cheiro do restolho e do Sol a pique. Todas as palavras foram sabiamente colocadas em cada frase. E cada frase e todas as frases tornam este livro extremamente belo. Belo e triste. O livro termina em Agosto e foi em Agosto que finalizei a sua leitura. É uma história triste, já disse, mas foi o livro mais belo que li até hoje. José Luís Peixoto conquistou-me e tornou-se no meu escritor favorito.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Relato de um dia quase normal

São onze e um quarto da noite. Tenho o banho tomado e já lavei os dentes. Pus uma máquina de roupa a lavar. Limpei duas casas de banho e varri o meu quarto, o corredor e o hall de entrada. Jantei nestum com mel mas o jantar foi tortilha de restos feita pelo meu marido. Ganhei uma Bandida do Pomar num jogo de padel da minha aula de Quarta Feira. Fui fazer a manicure. Agora tenho as unhas na cor vermelho primavera (eu é que batizei assim). Durante a tarde trabalhei num procedimento que espero que saia amanhã. A manhã foi para esquecer. A madrugada foi praticamente em claro. Agora vou pôr creme na cara e ler durante 10 minutos do livro sobre os russos. Amanhã coloco as fotografias do relato. E é isto.

terça-feira, 15 de março de 2022

24 de Fevereiro de 2022 - A madrugada mais negra das minhas insónias

Há cerca de 20 dias atrás acordei, como habitualmente, a meio da noite completamente desperta. Como de costume, aqueci uma caneca de leite, peguei nuns biscoitos e fui para o sofá ver as primeiras notícias do dia que agora começava. Porém, quando pensava encontrar as notícias do costume deparei-me com um acontecimento terrível: a Leste da Europa tinha despertado um demónio hediondo. Sobre a Ucrânia caiam bombas e sobre a Humanidade acabava de cair um manto negro. A visão das atrozes consequências deste facto dramático deixou-me descompensada. A dor, as vidas baralhadas, o cinzento dos dias e a destruição fizeram-me adoecer. No entanto, depois de andar meio aparvalhada durante uns dias, comecei-me a aperceber que para além das vítimas desta guerra, os refugiados e as pessoas que se encontram nas cidades ucranianas citiadas, muitos ucranianos com alguma patologia mental sofreram surtos psicóticos sendo que alguns foram internados em hospitais que acabaram por ser atacados pelas forças russas. Neste momento, por força da situação de guerra em que a Ucrânia se encontra, estes doentes, psicóticos, depressivos, descompensados, etc. não tem acesso aos medicamentos e aos cuidados que precisam. Assim, o meu coração neste momento, além de estar com todos refugiados, ucranianos cercados e aqueles que lutam pelo seu país, está também com estes doentes especiais que sem o tratamento adequado não só ficam no país destruído e sem perpectivas como também ficam num limbo mental. Glória à Ucrania! Não à Guerra! Viva a Democracia!

domingo, 19 de dezembro de 2021

Meia mulher

Estamos a seis dia do Natal e tenho a minha Árvore de Natal e as limpezas da casa por fazer. Hoje é Domingo e como sempre, desde sempre, só acordei à uma tarde. É assim desde que iniciei a medicação para a doença bipolar. Durmo, durmo e só durmo. Não consigo dar conta das tarefas domésticas e só dedico-me à cozinha de conforto e aos bolos. Porém isto nem sempre foi assim. Foi bastante pior. Quando andava mais medicada e antes quando andava super acelarada a comida desta casa era hambuguers, lasanhas pré feitas, salsichas e atum com arroz. Como andei doente durante bastante tempo e a recuperação foi lenta os meus filhos foram criados com este tipo de comida. Atualmente consegui transformar-me em boa cozinheira mas ainda faltam as tarefas de limpezas e organização da casa- Preciso também de chegar ao trabalho a horas pois isso iria transformar-me de boa funcionária para uma excelente funcionária. Necessito tanto desta modificação na minha vida... Até lá considero-me apenas meia mulher

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

A cozinha industrial de uma mãe bipolar

A mãe desta casa prepara refeições para cinco pessoas e faz dois bolos em simultâneo antes de ir ter uma aula de padel e depois de um dia de trabalho. Tirando isto, havia muito a dizer mas ainda tenho que fazer uma máquina de roupa, tomar um duche e fazer umas prendas de Natal.