segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Nenhum Olhar

Este livro estava no sítio dos livros por ler há muito tempo. Comprei-o na vertigem louca que me faz adquirir os livros sobre os quais leio boas críticas. Comecei a lê-lo na viagem que fiz ao centro da Europa para visitar a minha cria mais velha. E levei muito tempo para o acabar. Primeiro porque a minha vida é uma correria: a minha cruz, projetos e mais projetos, cozinhar para uma família completa, tratar de uma casa grande, conviver muito com os amigos que acabo por chegar à noite completamente exausta e sem capacidade de me concentrar sobre as linhas de um livro. Depois porque as palavras deste livro são simplesmente lindas. Precisam de ser lidas com atenção, com cuidado, saboreadas. É uma história triste, muito, muito triste passado num Alentejo profundo que já não existe. Passado num meio rural que cheguei a conhecer e por isso me faz compreender cada palavra, cada sensação, o cheiro do restolho e do Sol a pique. Todas as palavras foram sabiamente colocadas em cada frase. E cada frase e todas as frases tornam este livro extremamente belo. Belo e triste. O livro termina em Agosto e foi em Agosto que finalizei a sua leitura. É uma história triste, já disse, mas foi o livro mais belo que li até hoje. José Luís Peixoto conquistou-me e tornou-se no meu escritor favorito.

Sem comentários:

Enviar um comentário