terça-feira, 21 de setembro de 2021

A inevitável mudança das estações e da concentração de serotonina

 


No início de Setembro chegam as primeiras chuvas, os primeiros ventos frescos e os dias encolhem.
O meu corpo, como um relógio, acusa estas mudanças. Fico com dores de cabeça excruciantes, passo noites em claro e começo a ouvir sons que só existem na minha cabeça.
Não existe nenhum acontecimento negativo, uma pressão extra no trabalho  ou uma situação familiar mais delicada. É apenas o meu corpo, o meu cérebro e a diminuição de serotonina a indicar que o Outono chegou.
Nestes dias ando ensonada, cometo pequenos erros, o trabalho transforma-se numa tarefa hercúlea e custa-me a conduzir, pelo que reduzo ao máximo esta tarefa.
Como já estou muito batida nestas situações, e tenho autorização da minha psiquiatra, deixo de tomar a paroxetina, passo a olanzapina para 20 mg e tomo, em SOS, morfex 20 mg. Quanto ao ácido valpróico e o lítio mantenho a mesma dosagem.
Além do cuidado com a medicação puxo por mim mesmo e não descuro a minha higiene pessoal chegando ao ponto de andar maquilhada.
Para não haver stress, programo todas as refeições para a semana e faço as compras correspondentes.
Deste modo supero a crise mais depressa e quando ela passar fico pronta para disfrutar mais a vida. 
     

domingo, 12 de setembro de 2021

Os sentidos nas férias

 


As minhas férias souberam a figos pretos colhidos pela manhã.

Souberam a apanha de amêndoas e alfarrobas.

Souberam a raios de sol tocando na pele e formando uma imensidão de sardas.

Cheiraram a barrocal nas roupas, nos espaços, nas casas e nos campos.

Souberam ao canto das cigarras pela calma.

Souberam a peixe grelhado e comida caseira feita pela minha formosa mãe.

Souberam a mergulhos no mar em água fresca e transparente de praias de areia branca a perder de vista.

Souberam a gelados de Dom Rodrigo em noites quentes de Verão.

Souberam a noites de lua cheia e luar projetado no rio.

Souberam a família e amigos.

Souberam a bolas de Berlim polvilhadas de açúcar e areia.

Souberam ao exótico sabor dos figos da Índia.

Souberam  a sal, algas, rochas e cardumes de peixes.

Souberam a nascer do Sol em promontórios e ocasos em praias sem fim.



terça-feira, 25 de maio de 2021

Colocando cada coisa no seu lugar

Após o bater no fundo que foi a minha vida em 2010, a recaída de 2011 e toda a privação de sono e depressão que sofri desde tenra idade, a minha existência foi recompondo-se. Aos poucos e poucos. Dia após dia. Atirando-me ao infinito e agarrando com unhas e dentes todas as oportunidades que encontrei no meu caminho. 

Assim, as coisas foram voltando aos seus lugares. Os livros voltaram às suas prateleiras, a minha pulseira de noiva voltou ao meu pulso, a ordem e a regra voltaram ao meu lar, o sono à hora que lhe pertence, a paz aos meus dias e o sol a todos os recantos da minha alma.

Ainda há coisas a fazer mas o principal já foi feito. Vou dando notícias.


domingo, 7 de fevereiro de 2021

Terceira Vaga

 Os dias são todos iguais.

A noite é igual ao dia,

E o dia é igual à noite.

Os dias seguem devagar e lentos.

Sempre na penumbra, sempre cinzentos.

Trabalho desde que me levanto.

Como, trabalho e deito-me.

Sempre igual, sempre ao mesmo ritmo.

Lá fora as pessoas vão caindo.

Sempre um avião, sempre ao mesmo ritmo.

Quando isto para,

Quando isto termina.

Quando podemos voltar a abraçar-nos.

terça-feira, 24 de março de 2020

Crónica de Pandemia Anunciada #1

Há uma semana era uma terça-feira como hoje. Levantei-me cedo e cheguei ao trabalho pelas 8,30 h. Estava um belo dia de Sol, como que anunciando a Primavera. No entanto, o vento uivava forte como que anunciando a chegada da tragédia que se abateu sobre todos nós.
Nessa terça tivemos uma reunião com a nossa chefia e a nossa directora. Foi delineado o nosso trabalho daí para frente e despedimo-nos uns dos outros, a partir desta data estávamos em teletrabalho. Foi uma sensação estranha, como quase uma despedida para uma guerra. 
E têm sido assim os últimos dias, teletrabalho, compras de bens alimentares nas lojas aqui do bairro, teletrabalho e algumas arrumações. 
Hoje voltei ao meu trabalho físico. Estava deserto. Organizei o meu trabalho, imprimi uns documentos, despachei uns mails e umas informações.
Por aqui estamos todos bem (os cinco + o gato), tirando aquela parte de não nos poder aturar uns aos outros.
A nível de humor tudo estável pois o facto de ter que fazer tanto teletrabalho tem me ocupado toda a mente e não tenho pensado muito sobre esta situação grave e inédita.
Faço votos de melhores dias, livres de vírus.