sexta-feira, 26 de abril de 2024

A minha Dra. Paula

Morreu a Dra. Paula. Morreu a médica que cuidou de mim quando já estava do outro lado do espelho. Morreu a grande mulher, que fruto da sua experiência cliníca, me ajudou a manter praticamente estável durante 14 anos, Tive nuita sorte de ter contado com o acompamhamento sa Dra. Paula pois ela foi uma grande profissional da psquiatria em Portugal. O mundo da saúde mental fica muito mais pobre, Soube desta notícia hoje, assiom, a seco. Fiquei sem chão. Fiquei sem a luz que alumiava a minha vida. Dizem que ninguém é insubstitível mas, acreditem, não há ninguém como a Dra. Paula. Não há adjetivo que a descreva. A Dra. Paula era a Dra. Paula e as estralas do ceú andam agora mais compensadas. Não tenho andado bem, e por isso não me informaram de mais pormeores sobre o que aconteceu. Estou emocionada e cheia de perguntas,

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Descompensando

Os acontecimentos de 7 de Outubro em Israel. O confilto Israel/Palestiano, que me aflige pelo número de vidas perdidas de ambos os lados bem como a prisão em que vivem os palestianos na Faixa de Gaza e a conquista de terras através de colonatos na Cisjordânia ao povo palestino, são situações que me afetam de sobremaneira e me dividem. Por um lado acho que Israel deve ser um país mas acho que os palestianos têm direito à sua terra e à sua autodeterminação através da criação de um verdadeiro Estado Palestiano. A guerra da Ucrania que não se resolve. A crise econónima que se agudiza. Tenho cada vez mais e mais trabalho no emprego, além da minha vida como dona de casa. Isto tudo deixa-me exausta. Nesta altura do ano há a recordação de coisas trites que nos aconteceram. E por último, nos últimos dias houve lugar a acontecimentos felizes na minha vida, mas até isso me deixa descompensada. Pronto, é isto: estou descompensada e tem sido muito difícil trabalhar e dormir nos últimos dias. Talvez amanhã esteja melhor e possa dar conta do recado. É assim, sou bipolar, às vezes fico descompensada mas continuo a trabalhar para não admitir a mim própria que ser doente mental é um sinal de frazqueza e um impedimento em fazer uma vida normal. Isto até rima, é verdade. É a minha verdade.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Quem salva quem

O meu falecido sogro morreu em 1976 aos 36 anos de idade carcomido por um cancro de fígado que lhe levou precocemente a vida. Como só conheci o meu marido em 1989 é natural que tudo o que saiba sobre o meu sobre ele foi me transmitido via oral ou através de fotografias.

Acontece, porém, nos meus primeiros anos de casada, e durante um leve estado psicótico, vislumbrei a imagem saudável do meu sogro com os seus olhos claros a sorrirem para mim. Naquela presença desfocada mas intensa o meu sogro implorava-me para cuidar e salvar a sua família.

Nessa altura, a família nuclear do meu sogro era a sua esposa, os seus três filhos e eu.

Era uma família difícil não só pela doença do meu sogro, como pelo fato de ele ter estado emigrado a maior parte do tempo em que esteve casado. Por isso, a minha sogra teve que criar os filhos sozinha, com uma postura muito dura e com pouco afeto.

Não acreditando muito em cenas de visões, acho que se deveu ao fato de eu ser uma pessoa de afetos o motivo que levou o meu sogro a fazer-me este pedido. De inicio não liguei muito a esta situação, primeiro porque ter visões já era motivo para desconfiar que eu já tinha alguma doença mental, depois porque a minha sogra era difícil para mim (aliás ela é difícil para todas as pessoas) e por isso ficava bastante afetada, tentava melhorar o ambiente mas nada resultava e isso doía.

Mas depois comecei a perceber o coração duro da minha sogra, a não ligar a certas coisas, a dar-lhe carinho que foi coisa que ela nunca teve nem na sua infância, nem no pouco tempo em que esteve casada. E as coisas começaram a rolar.

Entretanto nasceram os meus filhos e a família nuclear do meu sogro transformou-se simultaneamente na minha.

Aos poucos e poucos a outrora família complicada tornou-se numa família estruturada e isto apesar das minhas descompensações e surtos psicóticos. Depois em 2018 o meu cunhado foi mortalmente atropelado e nessa altura a família uniu-se bastante.

Temos sido mais coesos e a forma assertiva como lido com esta família, que de início era disfuncional, tem me ajudado a melhorar o meu lado bipolar e isso têm me feito bastante bem.

Sinto que tenho que tenho o verdadeiro toque de Midas porque, não estando a gabar-me, a verdade é que as coisas correm bastante bem.

Estas duas semanas tenho andando descompensada, e a par do meu bom ambiente de trabalho, tem sido o meu marido, a minha sogra e o meu filho que me têm ajudado a dar a volta por cima.

Se tivesse dado atenção às palavras da minha sogra e tanta coisa de mal não me tinha acontecido.

No fim, não sei quem salvou quem. Se fui eu que salvei a família do meu sogro ou se foi ele que me salvou a mim por intermédio da sua/nossa família.

Pronto, é isto que tenho por hoje.

domingo, 2 de julho de 2023

Obras completas de Maria Judite Carvalho

Finalmente terminei a leitura deste livro. Levei 5 meses para o ler. O ano começou auspicioso. Em Janeiro li dois livros. A saber: "A Noiva Judia" e o "Acontecimento". Mas este foi mais difícil. Atravessei tempos complicados durante estes últimos cinco meses. A minha sogra piorou do seu estado de saúde e eu estive ocupada a tratar dela e das coisas. Depois também estive ligeiramente depressiva e isso fez-me procastinar bastante. Por outro lado, este é um livro difícil, duro e cru sobre a solidão. É um tema pesado mas Maria Judite de Carvalho trasmitiu da melhor forma. Escolheu muito bem as palavras, as frases, os textos e os contos. Escreveu sobre a solidão de vários tipos de pessoas mas principalmente sobre a solidão das mulheres a partir de certa idade. Como vivo nos antípodas da situação destas mulheres fiquei mais sensivel à situação das mesmas. Numa parte do livro, que acabei por não assinalar, Maria Judite escreveu que a partir de certa idade as mulheres entregavam-se a actividades secretas como a bebida, o croché, a igreja e algumas à poesia. Eu tenho a idade das mulheres retratardas, e sou doente mental, mas além de não estar só, para além da literatura/poesia e o tricot, entrego-me ao trabalho, à minha família e aos meus amigos. Estou viva. Continuo viva. Não estou à espera de passar a ser uma coisa inútil.

Esta é uma escritora de valor na literatura portuguesa. Foi me dada a conher pela minha amiga T. que conheci no mundo virtual dos livros. Foi um belísssimo presente de aniversário e uma belíssima descoberta.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Intenções bipolares do Solstício de Verão

1 - Acordar cedo;

2 - Diminuir o número de cafés por dia;

3 - Perder peso.

A medicação faz-me dormir muito e acabo invarialvelmente por acordar bastante tarde, tornando a compatabilização com a minha vida profissional e pessoal um verdadeiro drama. Há cerca de 1 mês comecei a tomar a medicação do jantar mais cedo e desde o dia 21 tenho conseguido levantar-me entre as 6 e as 7 da manhã. Diz que para mudar um hábito é necessário repetir uma ação durante 21 dias seguidos. O meu objetivo é pertencer ao 5 am club. Parece-me que estou no bom caminho.

Devido à sonolência que a medicação acarreta acabo por tomar vários cafés por dia, sendo que bebo o último às quatro e meia da tarde. No entanto, há três dias que sunbstitui o café da tarde por um descafeinado. Devido a isso tenho tido, desde dessa data, um adormecer sereno por volta das 11 da noite.

Por fim, a verdadeira catástrofe é o meu peso. A medicação para a doença bipolar mexe com a tiroide e aumenta o apetite. Em 2010 tinha 50 kg e hoje peso 79 kg. O meu objetivo a longo prazo é derreter esta diferença. Mudei os hábitos alimentares e espero queimar um kilo por semana. Esta é a minha aspiração mais difícil de concretizar, até porque já pratico algum desporto e isso não faz diferença nenhuma em termos de peso. Porém, estou a pensar realizar diariamente alguns exercícios localizados para melhorar o meu físico.

E é isto. Força de vontade já tenho agora só falta impôr a disciplina...

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Sendo mãe

Hoje finda Maio. Neste mês, em diferentes dias e um pouco por todo o mundo, comemora-se o Dia da Mãe. E eu sou uma bipolar que também é mãe. Mãe de dois jovens adultos muito promissores e queridos. Mãe de duas estrelinhas do ceú. Mãe de um terrorista felino. E agora mãe de um bebé de 84 anos. Apesar das limitações que a doença impõem, sinto que a minha alma tem uma grande generosidade em ser mãe, mãe de família, grande.

terça-feira, 21 de março de 2023

Segundo dia de Primavera

Hoje o dia foi muito luminoso e rendeu bastante.

Trabalhei a partir de casa. Terminei um projeto, tratei de vários documentos e conclui um procedimento. Fiz frango cremoso para o jantar. Arrumei a cozinha e organizei a roupa que vai para a engomadoria.

Preciso de arranjar mais tempo para limpar a casa pois tem zonas bem necessitadas. No entanto, aos poucos e poucos, está ficando mais arrumada.

Continuo a acordar tarde de manhã e isso prejudica-me muito o meu rendimento principalmente no que diz respeito à minha vida doméstica. Estou saturada desta situação e não vislumbro maneira de a resolver.

Oh Deus, se existes, ajuda-me a acordar cedo.