Finalmente terminei a leitura deste livro. Levei 5 meses para o ler. O ano começou auspicioso. Em Janeiro li dois livros. A saber: "A Noiva Judia" e o "Acontecimento". Mas este foi mais difícil. Atravessei tempos complicados durante estes últimos cinco meses. A minha sogra piorou do seu estado de saúde e eu estive ocupada a tratar dela e das coisas. Depois também estive ligeiramente depressiva e isso fez-me procastinar bastante. Por outro lado, este é um livro difícil, duro e cru sobre a solidão. É um tema pesado mas Maria Judite de Carvalho trasmitiu da melhor forma. Escolheu muito bem as palavras, as frases, os textos e os contos. Escreveu sobre a solidão de vários tipos de pessoas mas principalmente sobre a solidão das mulheres a partir de certa idade. Como vivo nos antípodas da situação destas mulheres fiquei mais sensivel à situação das mesmas. Numa parte do livro, que acabei por não assinalar, Maria Judite escreveu que a partir de certa idade as mulheres entregavam-se a actividades secretas como a bebida, o croché, a igreja e algumas à poesia. Eu tenho a idade das mulheres retratardas, e sou doente mental, mas além de não estar só, para além da literatura/poesia e o tricot, entrego-me ao trabalho, à minha família e aos meus amigos. Estou viva. Continuo viva. Não estou à espera de passar a ser uma coisa inútil.
Esta é uma escritora de valor na literatura portuguesa. Foi me dada a conher pela minha amiga T. que conheci no mundo virtual dos livros. Foi um belísssimo presente de aniversário e uma belíssima descoberta.

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