quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Senhora distinta

A minha vida mudou faz hoje 13 anos pois foi neste dia, em 2010, na sequência de um surto psicótico severo que fui diagnosticada com doença bipolar tipo i e fui internada no Hospital Júlio de Matos. Estive por lá 15 dias e depois fui recuperar para a casa de campo da minha mãe durante algum tempo pois a medicação produzia em mim efeitos secundários severos e ainda não estava devidamente estabilizada. Nessa altura decidi que não era o diagonóstico de uma doença mental grave que iria comandar a minha vida. Coloquei em prática um plano de muito rigor e disciplina. Regressei ao trabalho no fim do mês de Julho dediquei-em à minha profissão de alma e coração. Afastei-me de colegas de trabalho que transmitiam energia negativa e passei a andar sozinha mas muito bem acompanhada pela minha pessoa. Em casa as coisas foram melhorando aos poucos e poucos. Com respeito a isso nem tudo foi perfeito, principalmente a relação com a minha filha. Voltei aos meus hobbies preferidos. Fiz amigos novos. Comecei a praticar desporto com regularidade e a desfrutar plenamente da vida. Fiz tudo isto sempre respeitando a medicação e as horas de sono. Foi todo um processo e hoje sou uma reputada profissional, uma boa e divertida amiga, uma boa cozinheira, uma pessoa de confiança e com uma certa cultura, uma senhora distinta. A minha sorte mudou faz hoje 13 anos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Hoje sinto-me assim: Uma verdadeira Senhora do Trevo


Há um tempo para manter a distância.

Há um tempo para olhar o horizonte.

Há um tempo para seguir em frente.

Há um tempo para manter a cabeça erguida.

Há um tempo para largar amarras.

Há um tempo para pôr maquilhagem.

Há um tempo para cuidar do cabelo.

Há um tempo para fazer compras para mim.

Há um momento para desfilar.

Aqui estou eu.

Todos me têm carinho.

Aqui estou eu.

Para tomar a minha coroa.

Há um tempo para me proteger.

Há um tempo para beijar e abraçar.

Há um tempo para roupa de cores diferentes.

Há um tempo para cantar canções difíceis.

Aqui estou eu.

Todos me dão um miminho.

Aqui estou eu.

Para pegar a minha coroa.

Há um momento para partilhar.

Há um momento para a saudade.

Há um momento para rezar.

Houve um momento para ser uma princesa.

Aqui estou eu.

Todos me dão um presentinho.

Aqui estou eu.

Para sorrir na minha coroa.

E o meu perfume vai chegar ao mar.

E água chegará às terras secas.

Um rio envolvendo as terras.

Um rio…

Hoje reconheço que a pessoa mais importante na minha vida sou eu.

Só assim consigo espalhar amor.

Espalhar amor por todos os que me são queridos.

O amor é o mais importante.

O amor é esperança.

O amor sincero.

O amor…

Há um tempo para decorar árvores de Natal.

Há tempo para pôr a mesa para a consoada.

Há um tempo para escolher caminhos.

Há um tempo para largar situações.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Descompensado

Estou de novo acelarada Correndo contra mim Perseguindo todos os objetivos em simultâneo Acordo a meio da noite tentando fazer o irrealizável Esta energia envade-me o corpo Fico quente Fico sedenta de bebidas frescas De comidas frescas Depois vacilo A energia esgota-se E para concluir todas as tarefas a que me proponho Bebo café e mais um e mais um outro Como gomas desenfreadamente Depois chega a noite e não consigo dormir Os estabilizadores de humor não são suficientes E na pior das noites durmo 3 horas. Mas continuo a trabalhar como se nada tivesse acontecido. Custa-me Mas custa-me mais a inacção Os medicamentos acabam por tomar conta do meu cérebro Fico mais lenta Conduzir é uma tarefa hercúlea Praticar desporto é um esforço enorme Cozinhar é uma complicação Não tenho paciência para o convívio Só penso em trabalhar E só resta esperar que este pico passe E quanto isso não acontece vou trabalhando em sobre esforço mas inquieta

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Além de decadente...

...exploro animais para fins de limpeza doméstica. Atenção IRA ;)

a propósito desta notícia: https://cnnportugal.iol.pt/bispo-do-porto/pan/bispo-do-porto-diz-que-apego-a-animais-e-tipico-das-sociedades-decadentes-lider-do-pan-ja-reagiu/20221014/6349687a0cf2ea367d532f0d

Por aqui estamos muito assim...

domingo, 16 de outubro de 2022

Dia mundial da doença mental

No passado dia 10 de Outubro assinalou-se o dia mundial da doença mental. Logo de manhã a I., que conheço pessoalmente graças a este blogue, publicou uma storie a lembrar este dia. Fiquei logo a pensar que nessa segunda feira era um bom dia para escrever no blogue e falar deste tema. Poderia escrever sobre as minhas mais recentes conquistas pois actualmente tomo 1/6 da medicação que tomava por esta altura em 2010. Também podia falar do meu amigo e colega G. que a vida pregou-lhe uma partida, teve um burnout e agora está a ter alguma dificuldade em reeguer-se. Há outro assunto que poderia abordar, a minha seguidora N. do outro lado do Atlântico, a última vez que deu notícias foi em Agosto e estava bastante deprimida, situação que me deixa muito preocupada. Por fim, poderia dar uma visão positiva e contar sobre o filho de uma amiga minha, que sofre de transtorno de personalidade limítrofe e diabetes tipo I mas conseguiu atingir uma certa estabilidade na sua vida e recentemente pediu a sua namorada em casamento. Nesse dia poderia escrever sobre muita coisa mas esse dia não era dia. As feridas que o lítio me provocam nas palmas nas mãos nesse dia estavam especialmente muito acesas, e depois de um dia intenso no escritório, dificilmente conseguiria teclar alguma coisa. Assim, no final do dia, e em vez de me dedicar à leitura, estive a relaxar no instagram e acabei por dar com este texto do Diogo Faro que é um pensador que muito prezo.
E eu senti-me retratada neste Esteves. Eu um dia também fui o Esteves. Aliás fui o Esteves em várias alturas da minha vida. E é muito importante falar sobre o Esteves e todos os Esteves que se cruzam connosco. Porque o aconteceu ao Esteves, o que me aconteceu, pode acontecer a qualquer um de nós e é preciso falar muito sobre isso e não ostracizar as pessoas que estão a passar, ou têm de viver a vida toda, com este problema. Principalmente, porque por causa da crise que estamos a passar irão aparecer muitas pessoas com problemas de saúde mental. Assim, como gostei muito do texto do Diogo e da atitude dele e dos amigos para com este senhor resolvi enviar-lhe esta mensagem:
E não é que o Diogo gostou da minha mensagem e sentiu por isso que tinha valida a pena publicar o seu texto que depois postou a minha mensagem nos seus stories. E melhor ainda, deu-me autorização para publicar a história do Esteves no meu blogue! Isto foi demais, uma pessoa a quem eu subscrevo muito a sua linha de pensamento, uma pessoa que eu considero quase um filósofo do nosso tempo, trocou mensagens comigo! Publicou a minha mensagem! Não mereço tanto. Melhor que isto só se o José Luís Peixoto troca-se mensagens comigo. Minha nossa...

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Nenhum Olhar

Este livro estava no sítio dos livros por ler há muito tempo. Comprei-o na vertigem louca que me faz adquirir os livros sobre os quais leio boas críticas. Comecei a lê-lo na viagem que fiz ao centro da Europa para visitar a minha cria mais velha. E levei muito tempo para o acabar. Primeiro porque a minha vida é uma correria: a minha cruz, projetos e mais projetos, cozinhar para uma família completa, tratar de uma casa grande, conviver muito com os amigos que acabo por chegar à noite completamente exausta e sem capacidade de me concentrar sobre as linhas de um livro. Depois porque as palavras deste livro são simplesmente lindas. Precisam de ser lidas com atenção, com cuidado, saboreadas. É uma história triste, muito, muito triste passado num Alentejo profundo que já não existe. Passado num meio rural que cheguei a conhecer e por isso me faz compreender cada palavra, cada sensação, o cheiro do restolho e do Sol a pique. Todas as palavras foram sabiamente colocadas em cada frase. E cada frase e todas as frases tornam este livro extremamente belo. Belo e triste. O livro termina em Agosto e foi em Agosto que finalizei a sua leitura. É uma história triste, já disse, mas foi o livro mais belo que li até hoje. José Luís Peixoto conquistou-me e tornou-se no meu escritor favorito.