segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Menopausa

"A menopausa é um tema muitas vezes cercado de estigma e desinformação. A peça, descrita como uma comédia leve e emocionante, pretende abordar este momento transformador da vida feminina. Claudia Raia, que divide o palco com o marido, Jarbas Homem de Mello, partilha experiências pessoais e histórias de outras mulheres, destacando que a menopausa é “um início poderoso, vibrante e cheio de coragem.”

Fui ver esta peça de tetro no passado dia 7 de Feveiro com uma grupeta de seis mulheres amigas e maduras. O tema é muito interessante porque aborta uma condição que afeta todas as mulheres depois dos cinquenta anos, é uma fase muito pouco estudada pela medicina e é muitas vezes um assunto tabu. Atualmente ninguém te prepara para a menopausa e nem os próprios médicos têm conhecimentos suficientes para acompanhar as mulheres nesta fase da vida. Em Portugal só em 2017 é que esta área da medicina começou a ser dada nos cursos de medicina. A minha própria médica ficou espantada quando eu lhe pedi para fazer terapia hormonal de substituição.

A peça é bastante boa. A Cláudia Raia e o marido estavam super bem. A sala do Tivoli estava cheia estando os ingressos esgotadíssimos. Espero que o sucesso desta peça traga para a ribalta um tema tão escondido pela maioria das pessoas e que ao falnado sobre esse assunto com transparência prepare as mulheres para esta nova fase das nossas vidas, que pela a esperança de vida atual, é um período longo, quase metade da nossa vida-

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Novo avatar

Desde 2011, o ano em que criei este blogue, muita coisa mudou em mim e tornou-se necessário mudar o meu avatar. Os meus cabelos ruivos tornaram-se brancos. Deixei de ser parecida com a Ariel e além de um colar com um trevo também uso uma colar com uma estrela do mar porque este animalzinho tem um significado muito especial. Como a estrela do mar tem a capacidade de regenerar quando perde uma das perninhas, eu tenho a capacidade a capacidade de me reabilitar após cada crise maníaca ou depressiva. A minha singularidade em enfrentar esta doença é a minha resiliência. Posso ir muito ao fundo mas sou capaz de dar sempre a volta por cima. Completei a minha descrição na página principal e acrecentei mais blogues na minha lista de leitura. Espero que gostem.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

A breve vida das flores, de Valérie Perrin

Como eu já sabia que este livro era muito bom, a meu pedido, o mesmo foi-me oferecido pelo Natal pelo meu marido. Mas depois de acabar de o ler constatei que este livro é além de muito bom é excecional, possui uma escrita poética, prende e é completamente maravilhoso.

A história desenrola-se à volta de Violette Toussaint que é guarda de cemitério de uma vila da Borgonha. A acompanhá-la encontramos três coveiros, três agentes funerários e um padre. A vida dela é preenchida por tratar do cemitério, da pequena horta/jardim e pelas confidências, comoventes, trágicas, cómicas dos visitantes. Até que um dia aparece no cemitério um chefe da polícia, Julien Seul, que pretende deixar as cinzas da mãe sobre a campa de um desconhecido.

E é desta forma que entramos dentro de uma matrioska de histórias entre o passado e o presente. As aventuras da mãe de Julien Seul, a antiga vida de Violette como guarda de uma passagem de nível, o início da vida de Violette, a vida de Violette com o seu fugidio marido, a filha de Violette.

Este livro é por vezes muito dramático, tem muita tristeza, traições, paixões, segredos, mas também é cómico, irónico e sarcástico. O nome da personagem principal é só por si irónico, Violeta (nome de flor) Todos-os-Santos.

Toda a história, e histórias, são emocionantes. Vamos acompanhando a vida de Violette, o diário de Irène (mãe de Julien Seul) e mais no final o marido de Violette, Philippe Toussaint.

É um livro que nos fala da morte, mas principalmente da vida, de honrar a vida. Fala-nos também da solidão, do amor, da amizade, flores, jardins, gatos, cães, muito sol, Verão e mar.

Violette é uma personagem fascinante. Possui dois guarda-fatos. Um chamado de “Inverno” e outro de “Verão”. No guarda fatos de “Inverno” só possui roupa clássica e sombria destinada aos outros, no de “Verão” só contem roupa clara e colorida destinada a ela. Possui também um caderno onde anota dados sobre todos os funerais que vão ocorrendo no seu cemitério. É uma pessoa generosa, sensível, trabalhadora e inteligente.

A casa dela, onde recebe os colegas e visitantes do cemitério cheira bem, é aconchegante. Enfim, é uma personagem linda que com tudo o que lhe foi acontecendo tinha tudo para correr mal, mas que com a sua perseverança, resiliência conseguiu curar a dor e a tristeza.

A personagem de Violette está bem construída assim como todas as outras das quais se destaca Sasha, o antigo guarda do cemitério que na história teve a capacidade de recuperar Violette dos infortúnios que lhe aconteceram.

“A breve vida das flores” é um livro extraordinário, que tem a capacidade de nos tocar no coração. É uma leitura que marcante, que nos completa e nos fica na memória.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Escritos dentro de um livro

Há alguns dias atrás encontrei, num livro que andava cá por casa há muito tempo um papel com escritos delirantes do tempo da minha primeira crise psicótica que faz por esta altura 28 anos.

É verdade, há 28 anos atrás, por esta altura do ano, encontrava-me internada no Miguel Bombarda, antigo hospital de Rilhafoles. O Hospital dos Alienados. E era como me encontrava completamente alienada, mas simultaneamente com muito discernimento. Assim, se na primeira parte os meus escritos deixam um pedido parvo que não fazia sentido na fase onde eu me encontrava, na segunda parte escrevo com muita clareza. Ora fica aqui o registo:

“Pôr um sorriso no rosto, a esperança no olhar e muita força na alma. E então a vida é energia e cada momento é tão importante porque é feito de cada minuto. E em cada minuto é feito algo de muito importante. É assim que crescemos e que prolongamos a nossa existência. Há que saber descansar e trabalhar e ter uma atividade equilibrada. Para isso é preciso saber ser equilibrado…”

Para contextualizar, eu entrei em crise psicótica no final de Outubro de 1996 mas só fui internada no final de Janeiro de 1997. Durante esse hiato de tempo andei a penar. Saltei de psiquiatra em psiquiatra. Penso que durante esse período não cheguei a dormir nada pois passava as noites em claro. Escrevia e fazia renda durante a noite, mas não conseguia dormir. Simultaneamente tinha de cuidar da minha filha recém-nascida. De facto fiquei em crise maníaca após o nascimento da minha filha. Foi uma fase muito complicada. E o pior de tudo é que não foi nessa altura que me diagnosticaram a doença bipolar. Esse diagnóstico só ocorreu em 2010. Também nesta altura do ano, há 15 anos atrás, estava internada, mas desta vez no Júlio de Matos. Entre o tratamento de 1997 e 2010 continuei a viver de um modo desequilibrado e isso refletiu-se no relacionamento com a minha filha. Tentei ser a melhor mãe possível dadas as circunstâncias, mas fiquei muito aquém daquilo que a minha filha precisava. Ela levou com todos os meus delírios. Em 2004 nasceu o meu filho. A relação com ele foi mais fácil. Ele não se lembra da minha crise maníaca de 2010. Consegui ser uma melhor mãe para ele, consegui que ele não levasse tanto com os meus delírios. No entanto, a minha relação com filha ainda hoje é tensa. É assim, tem de se pôr um sorriso no rosto e viver a vida. Nem tudo corre como planeamos. É da vida…

Ponto de situação

Desde o último post que aqui publiquei muitas coisas se passaram. Retirei o lítio por indicação médica e substituí por aripiprazol. Mas reagi muito mal a este novo medicamento pois dava-me muito mal estar o que implicou que passa-se metade do ano numa desgraça franciscana. Entretanto acabei por entrar numa grande depressão. Entre Outubro e Dezembro do ano passado passei muito mal mesmo. Não conseguia conduzir, ir ao supermercado fazer as compras da semana. Estava sempre amedrontada. Acabei por ter de ficar de baixa. Mas não desisti procurei ajuda na minha médica no Júlio de Matos mas ela não estava disponível. Deste modo, procurei ajuda no Dr. J.R. que é um médico psiquitra particular e ele indicou-me deixar o aripiprazol e passar a tomar cariprazina 1,5 mg, fluoxetina 20 mg, valproato de sódio 500mg + 500mg e olanzapina 15 mg.

Agora encontro-me mais estável e capaz de fazer as coisas do dia-a-dia, estou mais equilibrada e sinto-me bem. Não sofro dos terríveis efeitos secundários do lítio e do aripiprazol. Felizmente a medicação fez efeito e passei uma boa quadra natalícia e passagem do ano.

O conselho que dou é que quando sintam que não estão bem procurem ajuda e se não resultar insistem de novo. Mais que os médicos vocês é que sabem como estão, mas só os médicos é que sabem como vos ajudar. Por isso procurem ajuda especializada.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Estou presa a um círculo vicioso

Eu já devia estar reformda por invalidez

Mas eles insistem em que eu trabalhe

Todas as manhãs são uma merda

Deixo-me dormir

E por isso fico mais ansiosa

Presa a um círculo vicioso

Os medicamentos dão-me estabilidade

Mas também me dão muito sono

E não acordar a horas certas

Cria-me muita ansiedade

Que eu só consigo resolver com um ansiolítico

E o ansiolítico faz-me ficar mais mole.

Merda, merda,

Ainda-me faltam 12 anos para a reforma

E eu não consigo aproveitar a vida assim

É um desperdício dormir tanto

Quem me socorre

Quando a motivação para sair da cama está em mim.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Sinto-me em baixo

Sinto-me exausta. Nem sei o que escrever porque o meu cérebro está fechado. O corpo dói- me. Tenho temores, tenho temor ao conduzir, ao estacionar, ao ir de casa para o trabalho e a ir a sítios. Tudo o que seja fazer coisas fora do costume deixa-me congelada. Não percebo isto o meu cérebro funciona para o trabalho, mas não funciona para as restantes coisas. Custa-me ler e fazer o resumo do livro que terminei de ler no Verão. Neste momento acho que preciso de apoio psicológico e sindical. Hoje a minha médica de família queria-me passar três meses de baixa, mas eu solicitei um pedido de teletrabalho. Tenho dormido bem, mas porque aumentei a dose de olanzapina. Neste momento estou a tomar 20 mg. Se não fosse isso acordava preocupada com o trabalho e outras coisas. Na próxima semana vou à minha psiquiatra. Vamos ver o que ela diz. Preciso de melhorar que isto não é vida.