sábado, 4 de maio de 2024
Como tu consegues dormir?
Eu estou cansado de estar exausta e mesmo assim não consigo adormecer
Como é fácil de dormires e eu não
Mas respiras desse jeito, eu só vejo que tenho mais uma noite em claro
A minha alma está presa ao jogo da noite
E ao que me tornei agora?
Fico navegando pela casa, vendo televisão, oh não
O sono para você é muito fácil
Sem sono tornei-me numa alma penada
Navego no Insta, na SIC notícias, na CNN e em canais de música
Eu tenho o o meu sono partido e não o consigo segurar
Querido, como tu consegues dormir enquanto eu atravesso a casa de um lado ao outro?
Querido, como tu consegus dormir enquanto amanhece o Sol no rio e eu não consegui dormir
E eu com todo este cansaço e perigo devido à privação do sono.
Eu espero que na próxima noite eu durma nos braços de Morfeu
Querido, como tu conseguse dormir enquanto como gomas, pistachos e cajus para entreter a necessidade excecional de saciedade,
Todo esse medo e toda essa pressão incrível que me impede de conseguir dormir
Espero amanhã ter energia suficiente para enfrentar o dia
Eu espero que as minhas deambulações não vos tenham acordado durante a noite.
Me digam
Com todas estas drogas, o meu cérebro continua-se manter-se acordado.
Ajudem-me
Oh não, como eu consigo viver sem mais uma noite sem dormir
Eu estou desesperada, mas mão estou assim tão louca
Tenho que fazer mais alguma coisa para a merda desta insónia
E eu não sou de atirar a toalha ao chão
Veja o que fiz agora
Tomei um banho, arranjei-me toda, tomei dois cafés e vou trabalhar
Eu não quero dar parte de fraca e a insónia não vai interferir com o meu desempenho profissional
Querido, como tu consegues dormir quando não se apercebes que passei a noite em claro?
Toda este desgaste, olheiras negras nos olhos e todo esse perigo na falta de reflexos
Eu espero que hoje eu durma a próxima noite
Querido, como tu consegues dormir quando apenas o ser que se apercebe que passei a noite em claro, foi o gato?
Todo esta cabeça oca, toda esta pressão, toda esta aflição
Eu espero que hoje durma
Por favor ajuda-me, leva-me ao hospital, acompanhe-me na consulta e tenha mais compreensão para as limitações que os medicamentos provocam.
Sim, sim, sim
Eu preciso é do teu amor, de drunfos, um banho e uma cama lavada para dormir esta noite e as noites seguintes
Ajuda-me
Oh
Oh
O teu amor vai me fazer dormir esta noite
sexta-feira, 3 de maio de 2024
Teletrabalho de uma drogradita
sexta-feira, 26 de abril de 2024
A minha Dra. Paula
quarta-feira, 1 de novembro de 2023
Descompensando
quinta-feira, 13 de julho de 2023
Quem salva quem
Acontece, porém, nos meus primeiros anos de casada, e durante um leve estado psicótico, vislumbrei a imagem saudável do meu sogro com os seus olhos claros a sorrirem para mim. Naquela presença desfocada mas intensa o meu sogro implorava-me para cuidar e salvar a sua família.
Nessa altura, a família nuclear do meu sogro era a sua esposa, os seus três filhos e eu.
Era uma família difícil não só pela doença do meu sogro, como pelo fato de ele ter estado emigrado a maior parte do tempo em que esteve casado. Por isso, a minha sogra teve que criar os filhos sozinha, com uma postura muito dura e com pouco afeto.
Não acreditando muito em cenas de visões, acho que se deveu ao fato de eu ser uma pessoa de afetos o motivo que levou o meu sogro a fazer-me este pedido. De inicio não liguei muito a esta situação, primeiro porque ter visões já era motivo para desconfiar que eu já tinha alguma doença mental, depois porque a minha sogra era difícil para mim (aliás ela é difícil para todas as pessoas) e por isso ficava bastante afetada, tentava melhorar o ambiente mas nada resultava e isso doía.
Mas depois comecei a perceber o coração duro da minha sogra, a não ligar a certas coisas, a dar-lhe carinho que foi coisa que ela nunca teve nem na sua infância, nem no pouco tempo em que esteve casada. E as coisas começaram a rolar.
Entretanto nasceram os meus filhos e a família nuclear do meu sogro transformou-se simultaneamente na minha.
Aos poucos e poucos a outrora família complicada tornou-se numa família estruturada e isto apesar das minhas descompensações e surtos psicóticos. Depois em 2018 o meu cunhado foi mortalmente atropelado e nessa altura a família uniu-se bastante.
Temos sido mais coesos e a forma assertiva como lido com esta família, que de início era disfuncional, tem me ajudado a melhorar o meu lado bipolar e isso têm me feito bastante bem.
Sinto que tenho que tenho o verdadeiro toque de Midas porque, não estando a gabar-me, a verdade é que as coisas correm bastante bem.
Estas duas semanas tenho andando descompensada, e a par do meu bom ambiente de trabalho, tem sido o meu marido, a minha sogra e o meu filho que me têm ajudado a dar a volta por cima.
Se tivesse dado atenção às palavras da minha sogra e tanta coisa de mal não me tinha acontecido.
No fim, não sei quem salvou quem. Se fui eu que salvei a família do meu sogro ou se foi ele que me salvou a mim por intermédio da sua/nossa família.
Pronto, é isto que tenho por hoje.
domingo, 2 de julho de 2023
Obras completas de Maria Judite Carvalho
Finalmente terminei a leitura deste livro. Levei 5 meses para o ler. O ano começou auspicioso. Em Janeiro li dois livros. A saber: "A Noiva Judia" e o "Acontecimento". Mas este foi mais difícil. Atravessei tempos complicados durante estes últimos cinco meses. A minha sogra piorou do seu estado de saúde e eu estive ocupada a tratar dela e das coisas. Depois também estive ligeiramente depressiva e isso fez-me procastinar bastante. Por outro lado, este é um livro difícil, duro e cru sobre a solidão. É um tema pesado mas Maria Judite de Carvalho trasmitiu da melhor forma. Escolheu muito bem as palavras, as frases, os textos e os contos. Escreveu sobre a solidão de vários tipos de pessoas mas principalmente sobre a solidão das mulheres a partir de certa idade. Como vivo nos antípodas da situação destas mulheres fiquei mais sensivel à situação das mesmas. Numa parte do livro, que acabei por não assinalar, Maria Judite escreveu que a partir de certa idade as mulheres entregavam-se a actividades secretas como a bebida, o croché, a igreja e algumas à poesia. Eu tenho a idade das mulheres retratardas, e sou doente mental, mas além de não estar só, para além da literatura/poesia e o tricot, entrego-me ao trabalho, à minha família e aos meus amigos. Estou viva. Continuo viva. Não estou à espera de passar a ser uma coisa inútil.
Esta é uma escritora de valor na literatura portuguesa. Foi me dada a conher pela minha amiga T. que conheci no mundo virtual dos livros. Foi um belísssimo presente de aniversário e uma belíssima descoberta.
