quinta-feira, 13 de julho de 2023

Quem salva quem

O meu falecido sogro morreu em 1976 aos 36 anos de idade carcomido por um cancro de fígado que lhe levou precocemente a vida. Como só conheci o meu marido em 1989 é natural que tudo o que saiba sobre o meu sobre ele foi me transmitido via oral ou através de fotografias.

Acontece, porém, nos meus primeiros anos de casada, e durante um leve estado psicótico, vislumbrei a imagem saudável do meu sogro com os seus olhos claros a sorrirem para mim. Naquela presença desfocada mas intensa o meu sogro implorava-me para cuidar e salvar a sua família.

Nessa altura, a família nuclear do meu sogro era a sua esposa, os seus três filhos e eu.

Era uma família difícil não só pela doença do meu sogro, como pelo fato de ele ter estado emigrado a maior parte do tempo em que esteve casado. Por isso, a minha sogra teve que criar os filhos sozinha, com uma postura muito dura e com pouco afeto.

Não acreditando muito em cenas de visões, acho que se deveu ao fato de eu ser uma pessoa de afetos o motivo que levou o meu sogro a fazer-me este pedido. De inicio não liguei muito a esta situação, primeiro porque ter visões já era motivo para desconfiar que eu já tinha alguma doença mental, depois porque a minha sogra era difícil para mim (aliás ela é difícil para todas as pessoas) e por isso ficava bastante afetada, tentava melhorar o ambiente mas nada resultava e isso doía.

Mas depois comecei a perceber o coração duro da minha sogra, a não ligar a certas coisas, a dar-lhe carinho que foi coisa que ela nunca teve nem na sua infância, nem no pouco tempo em que esteve casada. E as coisas começaram a rolar.

Entretanto nasceram os meus filhos e a família nuclear do meu sogro transformou-se simultaneamente na minha.

Aos poucos e poucos a outrora família complicada tornou-se numa família estruturada e isto apesar das minhas descompensações e surtos psicóticos. Depois em 2018 o meu cunhado foi mortalmente atropelado e nessa altura a família uniu-se bastante.

Temos sido mais coesos e a forma assertiva como lido com esta família, que de início era disfuncional, tem me ajudado a melhorar o meu lado bipolar e isso têm me feito bastante bem.

Sinto que tenho que tenho o verdadeiro toque de Midas porque, não estando a gabar-me, a verdade é que as coisas correm bastante bem.

Estas duas semanas tenho andando descompensada, e a par do meu bom ambiente de trabalho, tem sido o meu marido, a minha sogra e o meu filho que me têm ajudado a dar a volta por cima.

Se tivesse dado atenção às palavras da minha sogra e tanta coisa de mal não me tinha acontecido.

No fim, não sei quem salvou quem. Se fui eu que salvei a família do meu sogro ou se foi ele que me salvou a mim por intermédio da sua/nossa família.

Pronto, é isto que tenho por hoje.

domingo, 2 de julho de 2023

Obras completas de Maria Judite Carvalho

Finalmente terminei a leitura deste livro. Levei 5 meses para o ler. O ano começou auspicioso. Em Janeiro li dois livros. A saber: "A Noiva Judia" e o "Acontecimento". Mas este foi mais difícil. Atravessei tempos complicados durante estes últimos cinco meses. A minha sogra piorou do seu estado de saúde e eu estive ocupada a tratar dela e das coisas. Depois também estive ligeiramente depressiva e isso fez-me procastinar bastante. Por outro lado, este é um livro difícil, duro e cru sobre a solidão. É um tema pesado mas Maria Judite de Carvalho trasmitiu da melhor forma. Escolheu muito bem as palavras, as frases, os textos e os contos. Escreveu sobre a solidão de vários tipos de pessoas mas principalmente sobre a solidão das mulheres a partir de certa idade. Como vivo nos antípodas da situação destas mulheres fiquei mais sensivel à situação das mesmas. Numa parte do livro, que acabei por não assinalar, Maria Judite escreveu que a partir de certa idade as mulheres entregavam-se a actividades secretas como a bebida, o croché, a igreja e algumas à poesia. Eu tenho a idade das mulheres retratardas, e sou doente mental, mas além de não estar só, para além da literatura/poesia e o tricot, entrego-me ao trabalho, à minha família e aos meus amigos. Estou viva. Continuo viva. Não estou à espera de passar a ser uma coisa inútil.

Esta é uma escritora de valor na literatura portuguesa. Foi me dada a conher pela minha amiga T. que conheci no mundo virtual dos livros. Foi um belísssimo presente de aniversário e uma belíssima descoberta.

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Intenções bipolares do Solstício de Verão

1 - Acordar cedo;

2 - Diminuir o número de cafés por dia;

3 - Perder peso.

A medicação faz-me dormir muito e acabo invarialvelmente por acordar bastante tarde, tornando a compatabilização com a minha vida profissional e pessoal um verdadeiro drama. Há cerca de 1 mês comecei a tomar a medicação do jantar mais cedo e desde o dia 21 tenho conseguido levantar-me entre as 6 e as 7 da manhã. Diz que para mudar um hábito é necessário repetir uma ação durante 21 dias seguidos. O meu objetivo é pertencer ao 5 am club. Parece-me que estou no bom caminho.

Devido à sonolência que a medicação acarreta acabo por tomar vários cafés por dia, sendo que bebo o último às quatro e meia da tarde. No entanto, há três dias que sunbstitui o café da tarde por um descafeinado. Devido a isso tenho tido, desde dessa data, um adormecer sereno por volta das 11 da noite.

Por fim, a verdadeira catástrofe é o meu peso. A medicação para a doença bipolar mexe com a tiroide e aumenta o apetite. Em 2010 tinha 50 kg e hoje peso 79 kg. O meu objetivo a longo prazo é derreter esta diferença. Mudei os hábitos alimentares e espero queimar um kilo por semana. Esta é a minha aspiração mais difícil de concretizar, até porque já pratico algum desporto e isso não faz diferença nenhuma em termos de peso. Porém, estou a pensar realizar diariamente alguns exercícios localizados para melhorar o meu físico.

E é isto. Força de vontade já tenho agora só falta impôr a disciplina...

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Sendo mãe

Hoje finda Maio. Neste mês, em diferentes dias e um pouco por todo o mundo, comemora-se o Dia da Mãe. E eu sou uma bipolar que também é mãe. Mãe de dois jovens adultos muito promissores e queridos. Mãe de duas estrelinhas do ceú. Mãe de um terrorista felino. E agora mãe de um bebé de 84 anos. Apesar das limitações que a doença impõem, sinto que a minha alma tem uma grande generosidade em ser mãe, mãe de família, grande.

terça-feira, 21 de março de 2023

Segundo dia de Primavera

Hoje o dia foi muito luminoso e rendeu bastante.

Trabalhei a partir de casa. Terminei um projeto, tratei de vários documentos e conclui um procedimento. Fiz frango cremoso para o jantar. Arrumei a cozinha e organizei a roupa que vai para a engomadoria.

Preciso de arranjar mais tempo para limpar a casa pois tem zonas bem necessitadas. No entanto, aos poucos e poucos, está ficando mais arrumada.

Continuo a acordar tarde de manhã e isso prejudica-me muito o meu rendimento principalmente no que diz respeito à minha vida doméstica. Estou saturada desta situação e não vislumbro maneira de a resolver.

Oh Deus, se existes, ajuda-me a acordar cedo.

sábado, 11 de março de 2023

A vitamina B12 e o cotidiano

As vitaminas B12 e D3 têm sido fantásticas. Eliminaram por completo o meu cansaço costumeiro e bipolar da Primavera. Isto permitiu uma elevada rentabilidade no meu desempenho profissional.

Por outro lado, continuo a ter muita dificuldade em levantar-me de manhã. Preciso de dormir mais de 8 horas por dia para estar em pleno. Já tentei de várias maneiras contornar esta situação e ainda não consegui solucionar esta questão. Tenho de abordar este assunto na próxima consulta. Neste momento tomo 2,5 mg de Olanzapina. Será que consigo passar bem se não a tomar? Precisava tanto de diminuir a minhas horas de sono. A minha vida doméstica e o meu tempo de lazer agredeciam.

O ambiente aqui em casa continua calmo e tranquilo. A minha sogra está mais serena. E nós temos conseguido hierarquizar assuntos pendentes e resolvê-los a bom ritmo.

Já fiz a ementa da semana bem como as compras semanais. Agora vou dedicar-me a limpezas e arrumações.

Bom fim de semana.

quinta-feira, 2 de março de 2023

O cansaço extremo dos bipolares

Sempre que mudam as estações eu fico com um cansaço extremo. Começo a não dormir direito e para isso acerto a dose de olanzapina. No entanto, o cansaço não me larga. Custa-me imenso a levantar de manhã e isso condiciona bastante o meu desempenho profissional. Depois levo o dia exausta e cheia de dores no corpo. E é claro, isto também afeta o meu trablho, os meus realcionamentos bem como as minhas tarefas aqui em casa. Hoje decidi procurar na net informação sobre este tipo de cansaço. Então diz que é importante estabelecer uma boa rotina de sono, coisa que eu faço, beber apenas quatro cafés por dia, coisa que eu também faço, comer carne, cereais, ovos e leite, outra coisa que eu faço, aumentar a exposição solar, coisa que devido ao Inverno não tenho feito muito. Por fim descobri que era imporatnte tomar vitamina B12 e vitamina D. Como isto tem andado mesmo muito problemático fui logo comprar estas vitaminas. Hoje já tomei dois shots de vitamina B12 e uma capusula de vitamina D3. Vamos ver se amanhã acordo melhor. Depois conto.