quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Descompensado

Estou de novo acelarada Correndo contra mim Perseguindo todos os objetivos em simultâneo Acordo a meio da noite tentando fazer o irrealizável Esta energia envade-me o corpo Fico quente Fico sedenta de bebidas frescas De comidas frescas Depois vacilo A energia esgota-se E para concluir todas as tarefas a que me proponho Bebo café e mais um e mais um outro Como gomas desenfreadamente Depois chega a noite e não consigo dormir Os estabilizadores de humor não são suficientes E na pior das noites durmo 3 horas. Mas continuo a trabalhar como se nada tivesse acontecido. Custa-me Mas custa-me mais a inacção Os medicamentos acabam por tomar conta do meu cérebro Fico mais lenta Conduzir é uma tarefa hercúlea Praticar desporto é um esforço enorme Cozinhar é uma complicação Não tenho paciência para o convívio Só penso em trabalhar E só resta esperar que este pico passe E quanto isso não acontece vou trabalhando em sobre esforço mas inquieta

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Além de decadente...

...exploro animais para fins de limpeza doméstica. Atenção IRA ;)

a propósito desta notícia: https://cnnportugal.iol.pt/bispo-do-porto/pan/bispo-do-porto-diz-que-apego-a-animais-e-tipico-das-sociedades-decadentes-lider-do-pan-ja-reagiu/20221014/6349687a0cf2ea367d532f0d

Por aqui estamos muito assim...

domingo, 16 de outubro de 2022

Dia mundial da doença mental

No passado dia 10 de Outubro assinalou-se o dia mundial da doença mental. Logo de manhã a I., que conheço pessoalmente graças a este blogue, publicou uma storie a lembrar este dia. Fiquei logo a pensar que nessa segunda feira era um bom dia para escrever no blogue e falar deste tema. Poderia escrever sobre as minhas mais recentes conquistas pois actualmente tomo 1/6 da medicação que tomava por esta altura em 2010. Também podia falar do meu amigo e colega G. que a vida pregou-lhe uma partida, teve um burnout e agora está a ter alguma dificuldade em reeguer-se. Há outro assunto que poderia abordar, a minha seguidora N. do outro lado do Atlântico, a última vez que deu notícias foi em Agosto e estava bastante deprimida, situação que me deixa muito preocupada. Por fim, poderia dar uma visão positiva e contar sobre o filho de uma amiga minha, que sofre de transtorno de personalidade limítrofe e diabetes tipo I mas conseguiu atingir uma certa estabilidade na sua vida e recentemente pediu a sua namorada em casamento. Nesse dia poderia escrever sobre muita coisa mas esse dia não era dia. As feridas que o lítio me provocam nas palmas nas mãos nesse dia estavam especialmente muito acesas, e depois de um dia intenso no escritório, dificilmente conseguiria teclar alguma coisa. Assim, no final do dia, e em vez de me dedicar à leitura, estive a relaxar no instagram e acabei por dar com este texto do Diogo Faro que é um pensador que muito prezo.
E eu senti-me retratada neste Esteves. Eu um dia também fui o Esteves. Aliás fui o Esteves em várias alturas da minha vida. E é muito importante falar sobre o Esteves e todos os Esteves que se cruzam connosco. Porque o aconteceu ao Esteves, o que me aconteceu, pode acontecer a qualquer um de nós e é preciso falar muito sobre isso e não ostracizar as pessoas que estão a passar, ou têm de viver a vida toda, com este problema. Principalmente, porque por causa da crise que estamos a passar irão aparecer muitas pessoas com problemas de saúde mental. Assim, como gostei muito do texto do Diogo e da atitude dele e dos amigos para com este senhor resolvi enviar-lhe esta mensagem:
E não é que o Diogo gostou da minha mensagem e sentiu por isso que tinha valida a pena publicar o seu texto que depois postou a minha mensagem nos seus stories. E melhor ainda, deu-me autorização para publicar a história do Esteves no meu blogue! Isto foi demais, uma pessoa a quem eu subscrevo muito a sua linha de pensamento, uma pessoa que eu considero quase um filósofo do nosso tempo, trocou mensagens comigo! Publicou a minha mensagem! Não mereço tanto. Melhor que isto só se o José Luís Peixoto troca-se mensagens comigo. Minha nossa...

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Nenhum Olhar

Este livro estava no sítio dos livros por ler há muito tempo. Comprei-o na vertigem louca que me faz adquirir os livros sobre os quais leio boas críticas. Comecei a lê-lo na viagem que fiz ao centro da Europa para visitar a minha cria mais velha. E levei muito tempo para o acabar. Primeiro porque a minha vida é uma correria: a minha cruz, projetos e mais projetos, cozinhar para uma família completa, tratar de uma casa grande, conviver muito com os amigos que acabo por chegar à noite completamente exausta e sem capacidade de me concentrar sobre as linhas de um livro. Depois porque as palavras deste livro são simplesmente lindas. Precisam de ser lidas com atenção, com cuidado, saboreadas. É uma história triste, muito, muito triste passado num Alentejo profundo que já não existe. Passado num meio rural que cheguei a conhecer e por isso me faz compreender cada palavra, cada sensação, o cheiro do restolho e do Sol a pique. Todas as palavras foram sabiamente colocadas em cada frase. E cada frase e todas as frases tornam este livro extremamente belo. Belo e triste. O livro termina em Agosto e foi em Agosto que finalizei a sua leitura. É uma história triste, já disse, mas foi o livro mais belo que li até hoje. José Luís Peixoto conquistou-me e tornou-se no meu escritor favorito.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Relato de um dia quase normal

São onze e um quarto da noite. Tenho o banho tomado e já lavei os dentes. Pus uma máquina de roupa a lavar. Limpei duas casas de banho e varri o meu quarto, o corredor e o hall de entrada. Jantei nestum com mel mas o jantar foi tortilha de restos feita pelo meu marido. Ganhei uma Bandida do Pomar num jogo de padel da minha aula de Quarta Feira. Fui fazer a manicure. Agora tenho as unhas na cor vermelho primavera (eu é que batizei assim). Durante a tarde trabalhei num procedimento que espero que saia amanhã. A manhã foi para esquecer. A madrugada foi praticamente em claro. Agora vou pôr creme na cara e ler durante 10 minutos do livro sobre os russos. Amanhã coloco as fotografias do relato. E é isto.