quarta-feira, 27 de março de 2019

Os submersos e os salvos #2

A doença mental é como um campo de concentração ao contrário onde tudo te é oferecido. Tens medicação, alimentos, roupas e perfumes. Tens uma função e um propósito. Tens o amor da tua família e o apoio dos teus amigos. Tens dias de Sol e dias de chuva, porque também esses são necessários.
Mas nada disso é útil se não pegares em ti e tomares a medicação correta, se não tomares banho e vestires roupa lavada. Nada te serve se não colocares perfume e um creme hidratante. Se não saíres para a rua e abençoares o Sol, ou a chuva ou a Cloud ou o que der na altura.
Nada disso serve se não estimares os teus amigos e a tua família. Nada faz sentido se não te aplicares na tua profissão ou na tua função na vida.
A vida só faz sentido se acreditarmos em nós próprios. Tudo o resto vem por acréscimo. Mesmo quando estás pior, a descompensar, não nos podemos deixar afundar. Temos de procurar ajuda.
Recentemente fui beneficiada com um aumento de ordenado resultante do meu esforço e empenho no trabalho. Mas esse resultado não se deve aos dias em que fui feliz e contente trabalhar, deve-se acima de tudo aos dias em que me arrastei, peguei em mim, engoli os comprimidos e fui, sem me deixar afundar, entregar-me à vida...

domingo, 24 de março de 2019

Os submersos e os salvos

" Há um fato que nos parece notável. Resulta claro que entre os homens existem duas categorias, particularmente bem definidas: a dos que se salvam e a dos que afundam."

É ISTO UM HOMEM?
Primo Levi

sábado, 23 de março de 2019

Ausência

Durante os últimos meses a nossa vida deu uma volta completa. Mas tão completa que não pode ser definida num mundo tridimensional, nem quadrimencional nem a cinco coordenadas.
No final de Outubro o meu cunhado P. (irmão do meu marido) morreu atropelado numa passadeira. Foi uma dor avassaladora.  Foi tudo muito complicado porque a família dele somos apenas nós.
Depois a nossa maior preocupação foi trazer a minha sogra para viver connosco. Ela é uma pessoa bastante complicada mas parece-nos o mais acertado pois alma dela encontra-se ferida de dor com a morte de um filho.
No mês seguinte a minha filha teve um acidente de automóvel. Era a única ocupante do carro, ela ficou bem mas o carro foi para a sucata e era novinho. Mas tem sido muito complicado, e até hoje ando enrolado com papéis da companhia de seguros e do senhor da sucata.
No meio desta confusão toda tenho andado atrapalhada com psoríase palmo plantar que faz feridas enormes e sangrentas nas mãos. Já fiz quimioterapia oral, mas não resultou e provocou uns efeitos secundários que eu parecia um bicho. Agora estou a fazer ciclosporina, está a dar um bom efeito e já consigo tomar banho e lavar o cabelo sozinho. Também tenho outras maleitas, além da doença bipolar, mas não apetece falar sobre isso.

No meio de tudo isto fiz 50 anos mas sinto que tenho alma de 30.
Continuo a divertir-me e tenho saído com as minhas amigas. Ah!, e além disso tenho feito algum trabalho de voluntariado.

"Nós temos apenas duas vidas, a segunda começa quando percebemos que só apenas temos uma."
Tom Hiddleston