quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Maria Keil


No passado domingo fomos ver a exposição de Maria Keil que está patente no Palácio da Cidadela de Cascais. Fiquei emocionada. Desde sempre, desde que me lembro, e mesmo sem saber que era obra dela já gostava do que ela criava. Lembro-me de ter uns cinco anos e vir à cidade grande e ficar admirada com os azulejos que decoravam as estações de metro. Depois o meu primeiro livro da primária tinha ilustrações dela. E do que gostava daqueles bonecos. 
Mais tarde, no ciclo preparatório, tivemos um trabalho nas disciplinas de Português e Educação Visual que passava por ilustrarmos o livro de Matilde Rosa Araújo, "O Palhaço Verde". Este livro tem ilustrações de Maria Keil e assim durante um certo período de tempo, e como os meus desenhos foram muito gabados, senti-me um bocadinho a Maria Keil.
Por causa deste trabalho a própria escritora fez uma visita à nossa escola. Pude conversar com ela. Almoçar lado a lado. Senti-me verdadeiramente importante.


Na altura de seguir o meu futuro não fui para a área das artes, como era minha vocação, por sentir que isso não ajudava à descompensação que nessa altura já existia dentro de mim.
Porém nunca deixei a arte e de gostar das obras dos artistas com quem me identifico. Maria Keil é uma delas.
Quanto ao "O Palhaço Verde" há por aqui uma edição de 2002 para os meus filhos e os meus desenhos devem andar amarelecidos e guardados na casa dos meus pais.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

I´m not alone

 
 
O Sr. do Trevo voltou
Mas nunca me senti sozinha
Ou blue
 
Conduzi bem os vários
comboios que são a minha vida
 
Estou mais forte
Mais positiva
Mais determinada e independente
 
Agora sei qual é o meu limite
E o meu limite passa por rasgar o céu
 
O pai viveu uma experiência singular
Os meninos tiveram de ser ainda mais responsáveis
E a mãe vislumbrou um caminho cada vez mais harmonioso
 
Ser bipolar não é o fim
É sim o início de um caminho
Que pode ser iluminado e gratificante
Basta nós queremos
 
Nós nunca estamos sozinhos
Temo-nos a nós próprios


sábado, 12 de outubro de 2013

O gato e o escuro

Mia Couto / Danuta Wjciechowska
 
Esta semana o pimpolho leu este livro. Trata-se da história de Pintalgato, um gato desobediente que tem uma má experiência. No entanto, tudo acaba em bem pois não passava de um sonho.
O meu filhote embrenhou-se de tal maneira na história que ficou bastante preocupado quando o gato quebrou a regra da sua mãe.
Adorámos a história e os desenhos. E ficámos mais ricos com as palavras de Mia Couto como pirilampiscavam e adentrou.
 
 
 

De conduzida a condutora


Quando esta música surgiu nos anos oitenta eu emocionava sempre que a ouvia. Nessa altura já sofria com a doença bipolar sem o saber e sentia que precisava de ser "conduzida".
Mais tarde encontrei a pessoa que é hoje meu marido e senti-me apoiada. Mas esse apoio não foi suficiente quando a minha filha nasceu e nessa altura tive de ser internada e comecei a fazer tratamento para uma suposta depressão. Essa "depressão" durou catorze anos e a medicação parecia não funcionar e nem o apoio do Sr. do Trevo era suficiente forte para travar a força da loucura que me assolava. Fui novamente internada, mudei de médico e, finalmente foi-me diagnosticado meu sofrimento. Era a doença bipolar.
A partir daí foi tudo fácil, a medicação deixa-me serena, tenho o apoio do meu marido, da minha família e até dos colegas do trabalho. Mas no entanto estou sempre a ser conduzida e apoiada.
Mas na última semana e meia tenho estado sozinha com os meus filhos e tenho sido eu a conduzir este barco. E tenho-me saído bastante bem. Tanto, que os meus filhos, e apesar das saudades do pai, têm comentado que estão bem e superfelizes.
E é assim. Numa altura do ano propensa a crises como o Outono, passei de conduzida a condutora.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pessoas invisíveis

 
 
Ontem foi o Dia Mundial da Doença Mental e eu nem me lembrei disso. Estive tão ocupada com o trabalho, a fazer de mãe e de pai, pois por estes dias o meu pilar encontra-se no centro da Europa, que esse dia passou por mim e eu nem dei por ele. No entanto é um dia bastante importante pois acredita-se que pelo menos uma em quatro pessoas tenha um problema psiquiátrico ao longo da vida.
 
E eu sou essa pessoa em cada quatro. Já estive internada pelo menos umas três a quatro vezes. Já compartilhei enfermarias com pessoas com graves problemas mentais. Já perdi o tino por algumas semanas e meses da minha vida.
 
Hoje vivo uma vida absolutamente normal mas cruzo-me no meu bairro com pessoas que estiveram internadas comigo. E elas continuam com um olhar distante e apático. Fumam cigarros atrás de cigarros encostados às paredes e ficam por ali. Os transeuntes passam por eles e nem se apercebem da sua presença. Estas pessoas são pessoas invisíveis. Infelizmente é essa a forma como a nossa sociedade trata este problema. Com descriminação e com invisibilidade. Por isso lembrar este dia é de toda a importância.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estudo comparativo

Hoje quando fui deixar o Sr. do Trevo ao aeroporto levei:
- 1 mala;
- 1 malinha para levar na cabine;
- 1 mochila.
 
Quatro horas depois quando levei o pimpolho à escola carreguei com:
- 1 mochila para a escola;
- 1 mochila para o apoio psicopedagógico;
- 1 saco do almoço;
- 1 lancheira;
- 1 saco da natação.
 
Podia ser pior. Houve um tempo que cheguei a levar para a escola de duas crianças:
- 1 mochila,
- 2 sacos de almoço;
- 2 lancheiras;
- 1 saco da ginástica;
- 1 saco de ballet.
 
Por aqui, todos os dias de manhã é como partir para uma nova viagem, descobrir novas coisas, crescer e aproveitar a vida.

domingo, 29 de setembro de 2013

Cinzento, rosa, vermelho e laranja

Hoje acordei a meio da manhã com vontade de pular para a vida.
Preparei-me para sair. O dia estava cinzento mas mesmo assim coloquei o meu lenço rosa, vermelho e laranja.
Saímos de casa e logo encontramos a nossa porteira que já ia votar.
Percorremos o centro do nosso bairro.
O chão estava coberto de folhas secas que se acumulavam nos cantinhos.
Encontramos pelo caminho um colega de trabalho que também é nosso vizinho.
Aquela hora havia mais gente na rua do que é habitual. Certamente por ser dia de eleições.
Tomamos o pequeno almoço na Padaria Portuguesa. Soube-nos muito bem.
Levámos uns croiassants  para o pequeno almoço da criançada lá de casa e fomos votar.
Cruzámos o parque, sentimos o cheiro da terra molhada e a alegria do chilrear dos passarinhos.
Encontrámos vizinhos que iam votar e outros que já tinham votado.
Caia um chuva miudinha.
Votamos e voltamos a casa. Há muito a tratar. O Sr. do Trevo vai viajar.