terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sweet sixteen


Hoje faz anos que nasceu a minha princesa. Faz anos que conheci o rosto de alguém por quem já sentia o maior amor incondicional.
O caminho do seu crescimento não foi fácil. Eu estive quase toda a vida da minha filha doente e sem o tratamento adequado mas sei que fiz tudo o que podia em tais circunstâncias. Mesmo assim ficaram abertas feridas. No entanto, sei que agora, desde que estou a ser corretamente medicada, tenho a oportunidade de recuperar tudo aquilo que me foi roubado. Há um tempo para tudo e este é o tempo para eu disfrutar do meu "caramelinho".
Por outro lado estou ciente que o meu “caramelinho” nasceu através de mim para a vida. Ela vive comigo mas não me pertence. Posso dar-lhe todo o meu amor mas não obrigá-la aos meus desejos pois ela tem os seus próprios pensamentos e a sua alma vai ainda viver num futuro mais distante que o meu.A minha menina cresceu, está maior do que eu. É uma pessoa bem estruturada e os desejos que eu tinha  para ela foram substituídos pelos seus próprios sonhos. E estes sonhos e a sua força de vontade vão levá-la longe, eu sei. E hoje é o dia em que se abrem para ela as portas do Mundo.


domingo, 28 de outubro de 2012

Terapia da arrumação precisa-se

Há locais da minha vida que tardo em mexer.
Locais onde se acumulam papéis que não servem para nada misturados com coisas importantes.
Sítios onde o tempo parou e aos quais não quero recuar.
Cantos nos quais o cérebro cria entropia quando se aproxima.
Recantos que são feridas com crosta recente.
A terapia da arrumação precisa-se mas ainda não chegou o momento.
Primeiro é preciso manter a terapêutica prescrita pela minha médica.
Só depois quando a medicação ficar mais leve é que vou voltar à fada do lar que era antes. 
Tenho a certeza.
Até lá tenho que ir forçando um pouco a minha diminuta falta de vontade.

sábado, 27 de outubro de 2012

Ler doce ler


"Ler Doce Ler" é uma ode à leitura e ao amor pelos livros. É um livro da autoria de José Jorge Letria (texto) e de Rui Castro (ilustração). E é o livro que o meu filhote acabou de ler. É um excelente livro para as primeiras leituras pois é rico em vocubulário e em poesia. Adorámos a magia deste livro.

“Os livros são casas
Com meninos dentro
E gostam de os ouvir rir,
De os ver sonhar
E de abrir de para em par
As paisagens e as imagens,
Para eles, lendo, poderem sonhar.
Os livros gostam de se deitar            
Nas almofadas dos meninos                    
Partilhando o seu sono                                               
Quando eles são pequeninos            
E de ir com eles para a escola    
Misturados com os cadernos       
E com os beijos dos pais,            
Sempre quentes, sempre ternos.
Os livros têm perfume   
Que não é de homem ou de mulher
E nem sequer é parecido
Com outro perfume qualquer; 
É um perfume sem nome,
Não é de flor ou maresia,
Mas tem o aroma secreto
Que existe na Poesia.”

Preocupações de uma criança

Aqui há dias, estando eu e o meu pequeno na garagem cruzamo-nos com a minha vizinha de baixo que vinha carregada com imensas compras de supermercado. Esta minha vizinha já está naquela fase da vida em temos imensa sabedoria mas o corpo já não ajuda. Assim que viu a minha vizinha o meu filhote abriu logo a porta da garagem para o prédio e ajudou-a naquilo que pode. Depois de ela ter as compras no elevador fomos para o carro. Aí ele comenta comigo:
- Mãe as pessoas velhotas preocupam-me.
- Ai é filho, então porquê?
- Porque eles andam por aí sozinhos a fazer coisas que já não podem.
Fiquei sensibilizada, derretida e simultâneamente orgulhosa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Musiquinha boa

Mesa - Cedo o meu lugar

Ontem e hoje foram dias de neura e não foi por causa da chuva. Para cortar com essa energia negativa aqui fica um bom som.

Leituras cruzadas

Uma das leituras recentes do meu pequeno foi as  "Lendas do Mar" de José Jorge Letria e André Letria. Foi muito bom, ele melhorou mais um pouco na leitura e tivemos bons momentos de comunhão mãe e filho. As lendas são muito bonitas e as ilustrações fazem-nos sonhar. Com a leitura deste livro o meu filho apercebeu-se da diferença entre o que é uma lenda sobre um assunto.e da explicação científica sobre o mesmo assunto. Assim, além da leitura houve direito a explicação científica para as marés, para as ondas, para os tsunamis, para a formação das ilhas, etc.



Dias depois, já estando ele a ler outro livro, ele comenta e reflecte sobre a capa do livro que eu ando a ler:
- Oh mãe isso é sobre o terramoto de Lisboa não é. Pois, esse tsunami foi muito forte chegou até ao Sul de Espanha. E houve um grande incêndio como está no desenho. E  a cidade foi toda reconstruída como nós vimos naquelas ruínas que estão por baixo dos prédios da Baixa.
Pronto, e foi assim de um momento para outro o meu pequeno debitou todo o seu conhecimento sobre tsunamis e terramotos adquirido na leitura de um livro que não tinha nada à partida com essas ondas gigantes.
Já agora o livro que estou a ler é o "Quando Lisboa Tremeu" e estou tão no início que não tenho ainda opinião formada.




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Estou de regresso a "casa"

 

Em 2010 tive a minha última crise grave. Fazia nessa altura catorze anos que estava a fazer tratamento contra a depressão sempre acompanhada pela mesma médica que era super credenciada. Acontece que mesmo seguindo a terapêutica prescrita pela minha médica eu andava cada vez pior.
Até que por uma série de situações e estando eu nas últimas acabei por encontrar  a que é hoje minha Médica. A minha Médica diagnosticou-me prontamente o meu problema de saúde, eu não era depressiva antes pelo contrário, era maníaca. Era bipolar tipo I e na altura apresentava uma crise muito severa. Tratei-me, custou muito, mas recuperei.
E aí recuperei coisas fantásticas e encontrei coisas que nunca tinha sentido na vida. A sensação que tenho é que encontrei a minha vida pois antes não era viver, era apenas uma passagem com muita dor e muito sofrimento.
Uma das coisas que encontrei foi o dormir. Desde muito pequena me lembro que não conseguia dormir e o que aquilo que dormia não era suficiente. Agora durmo sonos tranquilos e reparadores.
Outras das coisas que encontrei foi o degustar. Antes só comia porque tinha que ser e mesmo assim com algum esforço pois o meu estômago andava sempre doente. Agora adoro comer de tudo e mais alguma coisa. Se é certo que estou mais gordinha por causa da medicação também é certo que se deve também à minha gula.
Também reencontrei o afecto do meu marido e dos que me são queridos. O afecto da minha filha está sendo mais difícil de recuperar. Eu adoecia com gravidade precisamente na altura do seu nascimento. Ela sempre me conheceu alterada e não como eu sou de verdade. Ela não consegue interiorizar que eu tive e tenho uma série de limitações. E ela está na adolescência...
Depois reencontrei o prazer de uma série de coisas: da amizade, da leitura, da música, dos lavores, de n coisas.
Só ainda não voltei a reencontrar o prazer das arrumações e das limpezas. Eu antes era super desinfectada e agora ando menos minhoquinhas com esse tipo de coisinhas. Não sei se esta minha atitude tem a ver com a medicação.
Basicamente é esta a minha história. O que eu sei e sinto é que sou bipolar desde que nasci e que fui sugada da minha concha, da minha casa, da minha home ainda bem pequenina. Durante quatro décadas estive perdida e fraca mas estou a regressar a casa. 
A minha alma amargurava e agora sorri.
Caminho devagar, eu sei, mas caminho e sei que vou regressar pois acredito em mim e nas minhas capacidades.
Olho para trás e vejo que já fiz um longo percurso.
Vou caminhando, caminhando sem sair do trilho pois para se tratar a doença bipolar não basta só a medicação é preciso ter regras no dormir, na alimentação e até no vestir.
Não consigo abraçar tudo neste momento mas sei que um dia o vou conseguir. 
Estou de regresso a "casa". Estou no caminho certo. Eu sei!