quarta-feira, 27 de abril de 2016

Estou com os cabelos em pé...

... depois de estar duas horas a estudar português com um pimentinha teimoso. Mas porém, com enorme satisfação pois a teimosia dele revela que está a desenvolver o seu próprio método de estudo e que não fica satisfeito com simples explicações de uma mãe que não está por dentro da matéria.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Fim de semana comprido

Opereta da escola do pimpolho. Dias mais longos. Nêsperas. Papoilas do campo. Colares de margaridas. Cravos da Revolução.
 
 
Lagoa. Praia. Sol, sal e areia.
 

Motocross num pequeno monte de areia com trotinetes. Gargalhadas dos primos. Brincadeiras partilhadas. Peixe grelhado. Comida da mamã com receitas da bisa. Ervilhas com ovos. Cozido de milhos e pão caseiro. Mousse de tangerina. Mimos ao pai velhote. Ameixeiras carregadas de fruto pequenino. Campo, muito campo de todas as cores e de todos os cheiros. Torneio de basquete entre as sobrinhas. Cruzar o Alentejo na Primavera. Festa de aniversário do melhor amigo da pré do pimpolho. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A fase porca dos miúdos

Esta mãe - J. P. vai já tomar banho! Olha já é a terceira vez que te mando para a banheira.
Pimpolho - Oh mãe mas eu não preciso de tomar banho.
Esta mãe - Ai é?
Pimpolho - Então eu uso o Axe nos sovacos e o desodorizante para os pés.
Esta mãe - Mas então e o rabo?
Pimpolho - Ora no rabo eu uso toalhitas.
Esta mãe - Agh!

terça-feira, 19 de abril de 2016

A m**** da insónia

A olanzapina dá-me muito sono de maanhã. Tanto que para me levantar de manhã é um filme. Reduzi a dose da olanzapina para 5mg. Correu mal. São quatro e tal da manhã e não consigo dormir. Daqui a umas horas tenho de ir trabalhar arduamente. Tenho que arranjar forças para ultrapassar isto.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

12 anos de Pimentinha

Hoje faz uma dúzia de anos que nasceu o Pimentinha. Tenho muito a dizer como foi conceber e levar avante uma gravidez sendo doente mental. Também tenho muito a contar sobre como têm sido estes 12 anos com este ser maravilhoso que nasceu entre nós, cresceu e hoje é um ser humano extraordinário. Mas hoje não posso. Tenho que preparar um jantar de família, comprar a prenda e tratar da festa com os amiguinhos. Por hoje é isto...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

E se fosse eu?

Muito se tem falado sobre a iniciativa promovida pela Plataforma de Apoio aos Refugiados em colaboração com a Direcção-Geral da Educação, o Alto Comissariado para as Migrações e o Conselho Nacional de Juventude, e que tem como objectivo a sensibilização para o acolhimento de refugiados através de se colocarem na pele de um refugiado e arrumem a sua mochila como se estivessem a fugir da guerra, a sair da sua casa e deixar o seu país. Esta acção colocou miúdos por todos o país a pensar nessa situação e uma artista plástica do nosso país sob a mira das mais variadas críticas mas isso é já outra praia.
E eu resolvi este exercício e passo aqui a expor.
Se fosse refugiada e tivesse que levar toda a minha existência numa mochila eu levaria uma muda de roupa, água, fotos dos meus dias felizes, telemóvel, lítio, ácido valpróico, olanzapina, paroxetina e mais dois tipos de SOS. Mas se eu fosse refugiada de um país em guerra não haveria nas farmácias estes medicamentos para trazer nem para os tomar com uma periodicidade diária. E se eu estivesse num país em guerra, sob stress traumático e sem medicamentos eu estaria doente, maníaca, com visões, ouvindo coisas, cheirando outras. Se eu estivesse doente, num país em guerra e sem medicamentos estaria neste momento num hospício a definhar lentamente pois a mania em mim leva-me a uma brutal perda de peso que pode conduzir à morte. Mas se eu estivesse doente num país como a Síria eu não estaria internada pois as instituições não estão a funcionar desde 2011, andaria a vaguear entre Damasco e  Baradun e muito dificilmente estaria viva pois se não tivesse morrido de exaustão o mais certo era ter cometido suicídio.
Assim, no meu caso, se estivesse num país em guerra, a mochila não me serviria de coisa nenhuma.
E quem diz eu, diz também os cardíacos, os diabéticos, os hemofílicos e todos os portadores de doenças crónicas. Ao longo destes cinco anos, quantos e quantas pessoas terão morrido na Síria não por bombardeamentos mas por falta de assistência médica e privação de medicamentos essenciais? Não sei, mas acho que valia a pena pensar nisto.