terça-feira, 2 de junho de 2015
Mentes brilhantes que inspiram
Quando em 2001 vi o filme "Uma Mente Brilhante" percebi que aquilo que eu achava normal em mim era afinal uma doença mental. Não fiquei assustada antes pelo contrário achei o meu caminho e fiquei encantada por descobrir alguém que tinha os mesmos sintomas que eu. Eu de facto era diferente mas como John Forbes Nash eu tinha a certeza que ia conseguir dar a volta.
Mas não, eu não consegui dar a volta, pelo menos nessa altura. A médica psiquiatra que me acompanhava desde 1997 considerava que eu não era psicótica mas que eu tinha apenas uma depressão com uma maniazinha. O que é certo é desde 2001 até 2010 eu continuei a piorar, achava que as letras das musicas da radio tinham mensagens que só eu podia decifrar, assim como os jornais e os telejornais. Também considerava que livros do Dan Brown eram sobre a minha vida. Eu pensava em mais tolices mas eram de tal maneira disparatadas que nem vale a pena mencionar. Cada vez estava mais magra, cansada e baralhada das ideias. Mas a minha médica continuava a achar que eu não estava psicótica e continuava sempre com o mesmo argumento/medicamento: depressão com maniazinha.
Depois em 2010 o meu corpo e a minha mente não aguentaram e eu fui parar a um banco de urgência de um hospital e ai sim fui bem diagnosticada e medicada. Lentamente fui recuperando os anos perdidos em diagnósticos incorretos.
E percebi que com uma doença mental crónica é tal fácil cair na maior das misérias e manter-mo-nos acima da linha de água é tão difícil. Há noites que mesmo com medicação não se consegue dormir e depois temos de ir a correr ao médico para acertar com a medicação. Andamos sempre com sono. E pesamos kilos e kilos a mais. A medicação faz-te tremer as mãos e tirar uma fotografia ou levar um garfo à boca é empreendimento igual à passagem pelo Cabo Bojador.
No entanto, acredito muito em mim, tenho muito apoio do meu marido, dedico-me de alma e coração aos meus filhos, ao trabalho e aos amigos. Tenho também algumas pessoas a quem sigo os passos. John Nash é uma delas. Penso que mesmo depois de partir desta vida, Nash continuará a inspirar doentes mentais crónicos como eu porque ele foi um exemplo de persistência e controlo da sua própria doença e isso não é fácil. John Nash faleceu há uma semana. Adeus Nash.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Dia da criança que está a deixar de o ser
Com onze anos o pimpolho já me ultrapassou em número de calçado. Já não gosta do Disney Channel e prefere as séries do SyFy, filmes com fantasmas e zombies e adorou o "Velocidade Furiosa". Aos onze anos e com um telemóvel na mão, o pimentinha controla todos os meus passos, se vou busca-lo a horas, se avisei o apoio escolar de que vai faltar, se combinei uma saída com o pai do melhor amigo dele. Só não me avisa dos recados na caderneta. Aos onze anos pede-me para ir Festival NOS Alive 2015 quando ainda no outro dia era uma loucura pelo Festival Panda. Aos onze anos não sai de casa sem pentear o cabelo numa popa eriçada e cheia de gel. Quando vai sair à noite (e se ele gosta de sair à noite) veste sempre uma camisa e perfuma-se todo. Aos onze anos é o Pimentinha que controla a chave da arrecadação onde estão guardados o skate, a bicicleta e a trotinete. Aos onze anos planeia as férias como gente grande e este ano quer porque que quer ir a Cabo Verde como se a crise não nos tivesse também afectado. Aos onze anos enche-me de beijos e abraços quando estamos em casa mas nega-se a qualquer tipo de cumprimento quando está junto dos colegas da escola. Aos onze anos o pimpolho adora mostrar os músculos e mostrar a sua força. Aos anos ainda é criança mas... está quase a deixar de o ser. Feliz dia da criança <3
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Desaparecida em combate
Além do trabalho absorvente, as minhas semanas, são constituídas por quatro treinos de basquete e outros quatro de ballet. Cruzo a cidade como uma louca todos os dias. Vou a correr para casa para tratar das minhas tarefas caseiras. Fazemos revisões para os testes, tpc e trabalhos para apresentar nas aulas. Muitas vezes jantamos tarde pois os horários dos treinos assim obrigam. Lá pelas dez e meia estou exausta. Não vejo televisão e já não tenho capacidade para escrever aqui umas palavrinhas. Mas não me queixo. É bom ter uma vida assim preenchida.
Ao fim de semana temos programas com amigos, almoços, jantares, passeios e uma série de coisas que chego à segunda mais cansada.
É tudo tão intenso que a maior parte das vezes nem me lembro que sou bipolar. E isso é bom...
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