sábado, 25 de julho de 2015

Sobre a alteração à lei do aborto

Neste momento, se o anticoncepcional que uso falhasse, e eu ficasse gravida ia com esta surpresa para a frente. Mesmo sendo doente bipolar, mesmo sendo nós uns pais "velhotes", mesmo tendo já filhos, mesmo tudo... Porque posso, porque tenho um emprego estável, porque tenho experiência em estar 9 meses grávida sem medicação e todas as alterações mentais do pós-parto, porque tenho uma casa grande onde há espaço para mais uma pessoa, porque na organização onde eu trabalho há creche gratuita, porque tenho um casamento estável e um pai maravilhoso, porque na minha família há vários casos positivos de mães tardias e irmãos com quase duas décadas de diferença. Enfim, porque sim.
Mas este é o meu contexto, não é o contexto de algumas mulheres em que são surpreendidas com uma gravidez e no seu caso não têm como a levar  avante. 
Por isso acho esta história de médicos e psicólogos objectores de consciência fazerem consultas a gravidas nestas condições uma perfeita idiotice. Ainda por cima numa única consulta, sem conhecer a paciente. Esta história da consulta é só para baralhar a cabeça de quem não tem outra alternativa e tomou uma decisão difícil. Acho isto uma fantochada e uma forma de desperdiçar os recursos públicos. 
Isto estava indo tão bem, o numero de abortos tem vindo a diminuir, o numero de casos complicados devido abortos clandestinos praticamente desapareceu, etc. Vamos ver.

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