domingo, 2 de março de 2014

Pequenos prazeres bipolares - O comer e o beber

Até 2010 sofri, desde que me lembro, do estômago. A minha mente é verdade que andava a uma velocidade estonteante mas também é certo que o meu estômago andava a uma velocidade supersónica. Tudo o que caia nele era facilmente digerido, andava sempre com o estômago a arder e a maior parte da comida fazia-me mal. Fiz exames nos quais se verificou que as paredes do meu estômago eram "pedra" e o meu gastroenterologista não encontrava solução para este meu problema.
 
Em meados de fevereiro de 2010 a minha mente rebentou, mudei de psiquiatra, e foi me finalmente diagnosticada a doença bipolar. Comecei a fazer a medicação adequada para o meu cérebro mas o que é certo é que o meu estômago acalmou e passei a comer normalmente como as outras pessoas. Hoje acredito que o metabolismo alterado de um bipolar afeta outras partes do nosso corpo como o estômago e que os estabilizadores de humor são também bons para controlar outras partes do nosso corpo.
 
E foi assim que descobri um novo prazer: o comer. Adoro comer queijos, citrinos, outras frutas, comida alentejana e comida algarvia, leitões da Bairrada, petiscos e farturas. Pronto é uma perdição, e se antes vestia o 32 agora visto o 40/42.
 
Também descobri outro prazer: o beber. Um bom prato de comida não fica completo sem um bom vinho. E se é certo que para alguns bipolares o vinho pode desencadear uma crise maníaca, no meu caso restrinjo o acompanhamento a meio copo de um bom vinho e só em festas e em ocasiões especiais. Disfruto mais da vida e parece que recupero o tempo em que andei a penar com uma doença mal diagnosticada. Não é medicamente correto escrever isto mas é o que eu faço, tenho esse direito, ficou satisfeita e não sinto que esteja a pôr a minha saúde em perigo.
 
Ontem, por exemplo, enquanto eu passava um monte de camisas a ferro o senhor do Trevo preparou o jantar com uma entrada de petiscos: ameijoas à Bulhão Pato acompanhadas com um arinto Quinta da Murta. As ameijoas estavam excelentes e o vinho soberbo. Soube-nos tão bem...
 
 

Sem comentários:

Enviar um comentário