domingo, 26 de maio de 2013

A visão do mundo mudou

Num fim de tarde desta semana, quando ia comprar coisas para o lanche dos jovens que tinha cá em em casa a fazer um trabalho de grupo, cruzei-me com a porteira do meu prédio. E ela contou-me que havia dois dias atrás uma nossa vizinha da torre mais abaixo se tinha atirado da janela. Mais outro infortúnio igual ao tinha acontecido o ano passado por esta altura. Fiquei um bocado perturbada com a notícia e quando cheguei a casa comentei com a malta que tinha cá em casa. Mas eles não ficaram perturbados nem sensíveis. E até me recordaram de todas as vezes que recentemente isto tem acontecido aqui para os meus lados. As pessoas andam deprimidas, a crise potencia mais estas situações e o que antes era um acontecimento ocasional agora passou a fatídicamente frequente. Estes jovens sempre conheceram o mundo assim porque em 2008 quando a crise começou eles eram umas inocentes crianças. E nessa altura quando começaram a despertar para a vida os dias ficaram cinzentos.
O que as coisas representaram para mim já não são o mesmo para eles. O Erasmus já não serve só para conhecer novas culturas como também é forma de arranjar contactos para um futuro emprego. O Interail não é só uma forma de visitar países como também é um meio para deixar currículos em centros de emprego por essa Europa fora. Fazer um mestrado no estrangeiro já não é um luxo, é uma boa  forma de arranjar emprego.
Eles ainda não têm maturidade para perceber que é uma tragédia perder uma vida humana desta forma. Mas infelizmente têm razão quando acham que é uma situação comum. O mundo mudou e eles já vieram formatados com essa mudança.

2 comentários:

  1. Infelizmente são casos que já não me espantam, porque aparecem cada vez mais casos de suicídios e homicídios na tv e nos jornais.
    O que me espanta e me assusta é ver que não é dada relevância ao assunto.

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  2. Mas o pior de tudo é que os casos a que referia no post foram pelo menos quatro situações que ocorreram em menos de um ano na zona onde moro. Situações que tomamos conhecimento não por ver televisão mas por nos cruzarmos com elas no nosso dia a dia. E isso assusta. As pessoas estão a cair dos prédios porque o país está a cair aos bocados. E concordo contigo: não está a ser feito nada para evitar estes acontecimentos.

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